Brasileiro vítima de skinheads ganha asilo nos EUA
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Renan Antunes de Oliveira 
Miami, 20 (AE) - A Corte de Imigração de São Francisco, na Califórnia, concedeu hoje asilo para o bancário brasileiro Joaquim de Abreu, 43 anos, vítima de um atentado cometido por quatro skinheads em São Paulo, em 1986. Na sentença, a juíza Beverly Philips citou como fator determinante "o quadro persistente de insegurança (para gays no Brasil), confirmado em vários casos e com a morte de uma pessoa na mesma cidade (São Paulo) em fevereiro, 14 anos depois do incidente " (com Abreu). Ela se referiu diretamente ao caso de Edson da Silva, morto por skinheads na Praça da República.
Abreu vive na cidade desde 1990, sempre como ilegal, trabalhando num restaurante. Agora, terá direito ao green card e poderá obter emprego em qualquer empresa americana.
Seu pedido de asilo foi bancado pela Comissao de Direitos Humanos da influente ONG americana International Gays and Lesbians.Ele disse que pediu asilo porque tinha medo de voltar ao Brasil. "Eu fui espancado várias vezes nas ruas de São Paulo por causa de minha orientação sexual, mas nas vezes em que dei queixa à policia nada foi feito", afirmou.
Abreu foi atacado pelos skinheads em setembro de 1986, quando eles ainda eram conhecidos apenas como Carecas do ABC. Um laudo do médico David Clever apresentado à Corte confirmou a agressão, nunca registrada pelas autoridades brasileiras.
A juíza examinou os laudos e conversou com o brasileiro sobre a agressão - ele tem uma placa de metal na cabeça, em consquência dos golpes que sofreu. A juíza Phillips também leu em voz alta recortes de reportagem do caso Edson, antes de decidir-se pela sentença favorável ao brasileiro.


