Brasileiro vai assessorar Ban Ki-moon
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Rafael Garcia<br>Folhapress 
São Paulo A Organização das Nações Unidas (ONU) quer fortalecer a ponte entre conhecimento científico e política ambiental para evitar falhas como a de 2009, quando a conferência de Copenhague fracassou em produzir um acordo para frear a mudança climática. Segundo o paulista Carlos Nobre, cientista que acaba de ser nomeado para o Painel de Alto Nível para Sustentabilidade Global, essa será uma das principais missões da organização nos próximos dois anos.
Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa do Ministério da Ciência, passa a integrar o conselho - que assessora diretamente o secretário-geral Ban Ki-moon - meses antes da conclusão do 5º Relatório de Avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática), o principal documento científico sobre o aquecimento global. Convenientemente, seu mandato dura até realização da conferência do clima de 2015, próxima janela de oportunidade para selar um acordo global sobre clima.
Esse período de tempo é análogo àquele que precedeu o fracasso de Copenhague, algo que surpreendeu muitos climatologistas, pois o quarto relatório do IPCC havia sido categórico ao culpar a emissão de gases-estufa pelo aquecimento global. Segundo Nobre, é hora de pensar o que deu errado para evitar uma segunda decepção, e o painel de alto nível - que possui outros 25 cientistas - vai debater isso.
"O aprendizado de Copenhague é muito profundo e reflete em todas as maneiras de buscar soluções, consensos e avanços", declarou Nobre. "O painel de alto nível foi criado um pouco em função daquilo que aconteceu lá."
O IPCC está afirmando novamente que o aquecimento global é "inequívoco" e vai refinar a estimativa de quanto o planeta precisa cortar em emissões para evitar um aquecimento global "perigoso". "O novo relatório está mostrando que não existe salvação que não passe por uma enorme redução das emissões", destacou Nobre.
Um assunto que deve passar pela mesa de Ban Ki-moon nos próximos meses, além da conferência do clima de 2015, é a reformulação do papel do IPCC dentro da ONU.
Desde 1990, o modo de operação desse painel é produzir relatórios de grande porte com intervalos de seis a sete anos entre um e outro. Há hoje um movimento forte na comunidade científica para que esses documentos deem lugar a estudos mais pontuais e rápidos de se produzir, já que o consenso sobre a importância em mitigar o aquecimento global já está bastante disseminado.


