O comerciante Osvaldo Soares de Almeida, 61, anunciou ontem, no Recife, que vai pedir clemência ao governo do Estado norte-americano da Flórida para que seu filho Osvaldo Suares Almeida, o Júnior, de 23 anos, não seja executado na cadeira elétrica. Júnior, que tem dupla cidadania - brasileira e norte-americana - foi condenado à morte pela Justiça da Flórida há três semanas, após ter sido considerado culpado de assassinar duas prostitutas e um gerente de restaurante.
Os crimes ocorreram em 1993 e, segundo Almeida, foram ‘‘de fato’’ praticados por seu filho. ‘‘Ele nunca negou o que fez, apenas não sabe explicar por que matou’’, afirmou o pai. Além de tentar o perdão dos norte-americanos, o comerciante disse que pretende pedir ajuda ao governo brasileiro.
Júnior, que desde 1993 aguardava o julgamento num presídio, foi transferido para a prisão estadual da Flórida, onde espera no ‘‘corredor da morte’’.
O brasileiro foi condenado por 7 votos a 5. Os jurados decidiram que ele foi responsável pelo assassinato das prostitutas Marylin Leah e Chequita Kahn, e do gerente de restaurante Frank Ingargiola, mortos a tiros de pistola.
Pela morte de Leah, Júnior foi condenado à prisão perpétua. Por reincidir no crime e matar Kahn e Ingargiola, foi sentenciado duas vezes à morte na cadeira elétrica. A data da execução ainda não foi marcada. Júnior nasceu em Boston, nos Estados Unidos, mas também foi registrado no Recife, onde morou com o pai e a avó paterna, Natália de Almeida, 81, dos 4 aos 12 anos.
Levado aos Estados Unidos pela mãe, Severina Gamboa, de quem Almeida havia se separado, Júnior casou-se aos 18 anos, após engravidar a namorada, então com 14. ‘‘Desde que partiu do Brasil, a vida dele mudou para pior’’, disse o pai.
Na Flórida, antes de cometer os crimes, Júnior, caçula de quatro irmãos, morou com a mãe na casa dos pais de sua mulher - de quem se separou depois - e com a irmã Sara.

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