Brasileiro projeta fábrica de próteses para mutilados na Angola
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de abril de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 14 (AE) - O técnico em ortopedia Nelson Nolé, de Sorocaba (SP), especialista em próteses ortopédicas de comando mioelétrico (acionadas pelo cérebro), vai assessorar o governo de Angola na instalação de uma fábrica de equipamentos para mutilados naquele país. Segundo o embaixador angolano no Brasil, Oswaldo de Jesus Serra Van Dúnem, quase 30 anos de guerras deixaram mais de um milhão de mutilados em toda a Angola. A população convive, ainda, com o risco causado por 11 milhões de minas terrestres espalhadas pelo território. A cada mina que explode, disse, uma pessoa morre e duas sofrem mutilações, mas o país não dispõe de tecnologia para produzir as próteses de que necessita.
O embaixador manteve contato com o sorocabano por intermédio da escritora angolana Filomena Carrera, que desenvolve uma campanha humanitária internacional de ajuda à sua terra. Nolé viajou hoje para a Angola, acompanhado de dois técnicos ortopedistas, a convite do governo. Ele apresentará amanhã (15), a três ministros, o projeto de uma fábrica-escola, capacitada para produzir as próteses e treinar a mão-de-obra. "Será também um centro de adaptação e reabilitação dos pacientes", disse.
A fábrica projetada pelo brasileiro terá condições de produzir próteses para substituir membros amputados, tanto para adultos quanto para crianças, órteses para os membros superiores e o pescoço, cadeiras de rodas e muletas ortopédicas. Além da assessoria gratuita à instalação da unidade, Nolé doará próteses ortopédicas a 20 mutilados angolanos selecionados pela Cruz Vermelha. Ele oferecerá ao governo daquele país as instalações da clínica-oficina que mantém em Sorocaba para o treinamento da mão-de-obra, capacitando os técnicos que trabalharão na linha de montagem da fábrica.


