Campo Mourão - O brasileiro Saul dos Reis, 25 anos, preso nos Estados Unidos na semana passada acusado de pedofilia e de ter assassinado uma menina de 13 anos, é filho adotivo do missionário Saul Portes dos Reis, 55, o mesmo que chegou a ser preso em Campo Mourão no final do ano passado acusado de abusar sexualmente de fiéis da igreja dele. O missionário foi procurado ontem pela Folha, mas não quis falar sobre o assunto.
Conhecido como ‘‘Saulinho’’, o filho do missionário vivia ilegalmente os Estados Unidos desde os 10 anos. Ele estava junto com a mãe adotiva, Silvana, que é ex-mulher do missionário. O caso teve repercussão internacional porque Saulinho, que confessou o homicídio, conheceu a menor Christina Long através de uma sala de bate-papo da internet. O brasileiro pode ser condenado à morte.
Reis, que já tinha atuado como missionário em Campo Mourão na década de 1970, fundou em novembro de 2000 a Igreja do Nosso Senhor Jesus – Pavilhão Fé, que tinha cerca de 200 membros na cidade. No ano passado, ele foi acusado por oito fiéis da igreja – cindo menores de idade – de abusos sexuais durante ‘‘consultas espirituais’’.
Investigado pela polícia, o missionário fugiu de Campo Mourão quando saiu o pedido para sua prisão preventiva. Ele foi preso em novembro em Mogi-Mirim e transferido para Campo Mourão. Só deixou a prisão no final de dezembro. Desde então, ele responde processo em liberdade e não pode deixar a cidade sem autorização judicial.
Ontem de manhã, Reis esteve conversando com a advogada dele, Marciana Rodrigues da Silva, mas ele não quis falar com a imprensa. A advogada disse que o missionário apenas queria saber como estava o andamento do processo contra ele. Segundo ela, Reis é inocente e foi vítima de uma armação feita por outros membros da igreja.
A Folha procurou o missionário, mas ele não estava no endereço que forneceu à Justiça. Vizinhos disseram que ele não mora no local, mas aparece sempre por lá. A Igreja do Nosso Senhor Jesus não existe mais. O templo que estava sendo construído no Jardim Albuquerque foi tomado pela construtora por falta de pagamento.

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