Brasileiro preso nos EUA é filho adotivo de missionário investigado em C.Mourão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de maio de 2002
Sid Sauer Equipe da Folha 
Campo Mourão - O brasileiro Saul dos Reis, 25 anos, preso nos Estados Unidos na semana passada acusado de pedofilia e de ter assassinado uma menina de 13 anos, é filho adotivo do missionário Saul Portes dos Reis, 55, o mesmo que chegou a ser preso em Campo Mourão no final do ano passado acusado de abusar sexualmente de fiéis da igreja dele. O missionário foi procurado ontem pela Folha, mas não quis falar sobre o assunto.
Conhecido como Saulinho, o filho do missionário vivia ilegalmente os Estados Unidos desde os 10 anos. Ele estava junto com a mãe adotiva, Silvana, que é ex-mulher do missionário. O caso teve repercussão internacional porque Saulinho, que confessou o homicídio, conheceu a menor Christina Long através de uma sala de bate-papo da internet. O brasileiro pode ser condenado à morte.
Reis, que já tinha atuado como missionário em Campo Mourão na década de 1970, fundou em novembro de 2000 a Igreja do Nosso Senhor Jesus Pavilhão Fé, que tinha cerca de 200 membros na cidade. No ano passado, ele foi acusado por oito fiéis da igreja cindo menores de idade de abusos sexuais durante consultas espirituais.
Investigado pela polícia, o missionário fugiu de Campo Mourão quando saiu o pedido para sua prisão preventiva. Ele foi preso em novembro em Mogi-Mirim e transferido para Campo Mourão. Só deixou a prisão no final de dezembro. Desde então, ele responde processo em liberdade e não pode deixar a cidade sem autorização judicial.
Ontem de manhã, Reis esteve conversando com a advogada dele, Marciana Rodrigues da Silva, mas ele não quis falar com a imprensa. A advogada disse que o missionário apenas queria saber como estava o andamento do processo contra ele. Segundo ela, Reis é inocente e foi vítima de uma armação feita por outros membros da igreja.
A Folha procurou o missionário, mas ele não estava no endereço que forneceu à Justiça. Vizinhos disseram que ele não mora no local, mas aparece sempre por lá. A Igreja do Nosso Senhor Jesus não existe mais. O templo que estava sendo construído no Jardim Albuquerque foi tomado pela construtora por falta de pagamento.


