Rio, 30 (AE) - Caso o brasileiro não mude seus hábitos alimentares, metade da população será obesa em dez anos. O alerta é do endocrinologista Luiz César Póvoa, titular dessa cadeira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC). A principal causa da obesidade é a adoção do fast food como cardápio básico do brasileiro somada à falta de exercícios físicos. "A obesidade é doença e tornou-se uma epidemia mundial", diz Póvoa. "Ela vem acompanhada de complicações como o diabete, a hipertensão, as doenças articulares (artrose, principalmente) e outras.
Póvoa explica que a situação no Brasil é diferente dos Estados Unidos, onde 30% da população é obesa, proporção que pode chegar a 100% em 2025. "Aqui, a obesidade atinge mais a classe baixa, que consome pouca proteína e muito carboidrado", diz ele. "É o caso daquele nordestino que come farinha com rapadura e é subnutrido, mas obeso."
O crescimento da doença no Brasil é mais rápido do que nos Estados Unidos, pois aqui a população é cada vez mais urbana e tem menos atividade física. Outro fator que contribui para essa tendência é a resistência que o brasileiro tem aos legumes e frutas. "Muita gente não os come de maneira nenhuma", lembra Póvoa. "E é grande o número de pessoas que baseiam sua alimentação em pizza, refrigerante e fast food." Segundo Póvoa
uma pessoa é considerada obesa quando o Índice de Massa Corpórea (IMC) é superior a 30. Para calculá-lo a fórmula é simples: divide-se o peso em quilos pelo quadrado da altura, em metros. Assim, uma pessoa com 1,70 m de altura, que pese 90 quilos é obesa porque seu IMC é 31,14. "Nos últimos anos, os brasileiros passaram a comer mais gorduras e a fazer menos exercícios", comenta o médico. "E a causa da obesidade é exatamente o aumento da ingestão de alimentos combinada com a diminuição do gasto energético." Genética- Ele lembra que algumas pessoas têm também uma tendência genética à obesidade. Já foram identificados 200 genes causadores da doença, 12 dos quais são mais frequentes. O problema é que a medicina ainda não consegue diferenciar o obeso por hereditariedade de quem come erradamente. "Depois dos 30 anos, todos deveriam evitar comer gorduras e fazer dietas milagrosas e fazer alguma atividade física", alerta ele. "Mas algumas pessoas terão que fazer regime a vida inteira e tomar remédio para acelerar o gasto de energia."
As mulheres sofrem mais de obesidade, exatamente por terem menos atividade física do que os homens. No entanto, até por vaidade, elas se tratam mais do que os homens já que o padrão de beleza atual privilegia as magras. "Mas já tenho muitas clientes aqui que vêm emagrecer porque estão preocupadas com a saúde", conta o médico. Ele ressalta que a preocupação com a doença está aumentando. "A clínica de obesidade da Universidade de São Paulo, gratuita, já tem 600 clientes e, no Rio, o Hospital de Ipanema, que funciona no mesmo esquema, trata cerca de 140 pessoas".
O Ministério da Saúde também está preocupado com o assunto, especialmente depois que a Organização Mundial de Saúde lançou um alerta para os perigos do crescimento do índice obesos em todos os países. "No ano que vem vamos lançar uma campanha para incentivar o controle alimentar e o aumento do gasto energético" adianta Póvoa. "Aquela idéia de que o gordo é forte e bem disposto está caindo por terra, pois hoje sabe-se que nem os bebês são mais saudáveis se estão gordinhos."

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