Brasileiro pode pegar pena de morte na Califórnia
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Renan Antunes de Oliveira, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Nova York, 31 (AE) - Os jurados da Corte Superior de Stanislaus, na Califórnia, levaram apenas 1 hora e 15 minutos para declarar o brasileiro Wedson Rosa de Morais culpado de homicídio em primeiro grau. A decisão foi anunciada hoje (31). Agora, ele é elegível para a pena de morte. O julgamento começou em 6 de março e a sentença está prevista para 24 de abril.
Morais é autor confesso de duplo homicídio, ocorrido em 13 de janeiro de 1997. Durante uma banal discussão doméstica envolvendo uma conta de 700 dólares, Morais teve um acesso de fúria. Usando facas que estavam na pia da cozinha, ele matou os avós da esposa, uma professora americana, e tentou matar a sogra.
Em entrevistas, ele explicou o incidente dizendo-se "tomado pelo demônio". Na sua defesa, queixou-se de que era maltratado pela família da esposa. Morais, ela e os dois filhos viviam de favor na casa dos avós, na cidadezinha de Newman, a 150 quilômetros de São Francisco.
Segundo os advogados, a defesa dele era insustentável, tantas eram as evidências. O homem foi preso em flagrante, ainda com a arma na mão.
Durante o julgamento, revelou-se a extensão da selvageria do ataque: as vítimas, ambas de 80 anos, foram esfaqueadas dezenas de vezes. A avó levou 33 golpes, o avô, 27.
Morais não tinha antecedentes criminais, nem histórico de doenças mentais. Ele é goiano. Imigrou em 1982. O brasileiro tinha um caminhão e fazia fretes de tomates para as feiras de São Francisco. Ele estava se divorciando da esposa e temia perder a guarda dos filhos para a família americana.
O caso levou três anos para chegar ao tribunal, mas demorou menos de uma hora e meia para os jurados darem sua decisão de culpado. O fato dela ter sido unânime e tão rápida indica que ele vai mesmo pegar a pena de morte.
Ao ouvir a declaração de culpa, lida pelo juiz Glenn Richtey, o brasileiro não expressou nenhuma emoção. Segundo um de seus advogados, teria sido bom que ele tivesse chorado ou demonstrado remorso, para sensibilizar os jurados na próxima fase.


