Brasileiro pede movimento de anapolinos para se livrar da pena de morte
Brasileiro pede movimento de anapolinos para se livrar da pena de morte11/Mar, 17:28 Por Renan Antunes de Oliveira Modesto, EUA, 11 (AE) - "Peço ao povo anapolino que faça um movimento para evitar que eu seja condenado à morte." O apelo é do brasileiro Wedson de Morais, 36 anos, dirigido a seus conterrâneos de Anápolis (GO), feito durante entrevista na cadeia pública de Modesto, na semana passada. Ele está sendo julgado por assassinato na Corte Superior de Stanislaus, na Califórnia. A promotoria pede a pena máxima. Os jurados só vão decidir o caso dentro de três semanas, mas o apelo antecipado se justifica: será muito dificil escapar da condenação. Quanto aos goianos, nada podem fazer. O Estado da Califórnia gastou US$ 250 mil no processo, tudo para levá-lo ao corredor da morte. Morais é defendido por advogados gratuitos. Será uma vitória se eles conseguirem uma pena de 50 anos, poupando a vida do brasileiro. O difícil da tarefa é justificar aos jurados um crime injustificável. Em 13 de janeiro de 1997, ele matou os avós da mulher, Gerrald e Amelia Hunt, ambos de 79 anos, durante discussão por uma conta de US$ 700. A violência do crime abalou a cidadezinha de Newman. Morais deu 10 facadas em cada um, na cozinha de casa, na frente da sogra Lois, da mulher Jean, e dos filhos pequenos, Távio e Néio. E ainda saiu para a calçada, ensanguentado, de faca na mão, golpeando a sogra, aos berros de "vou matar esses americanos". A sogra sobreviveu e testemunha contra ele. Para piorar o quadro, os Hunt eram dois velhinhos que o promotor não teve nenhuma dificuldade em descrever como "o retrato da bondade". Professores aposentados, reverenciados por gerações de ex-alunos, benfeitores da cidade. Ao absurdo do crime deve-se acrescentar ingratidão: os Hunt davam casa, comida e roupa lavada para Morais e a família dele. Todos moravam sob o mesmo teto, num sobrado amplo e confortável. Quando o brasileiro fazia ocasionais fretes de tomate, usava dinheiro emprestado dos avós para pagar a gasolina - a cobrança da conta foi o estopim do crime. Morais foi entrevistado pelo mesmo repórter em março de 1998, um ano depois do crime. Daquela vez, ele estava sob medicação antidepressiva, parecia sonado. Estava mal barbeado e com os cabelos desgrenhados. Falava sem controle. Tinha o olhar parado. Na semana passada, era outro homem. O carcereiro Ray disse que ele é o mais bem comportado do pedaço - o escolhido pela turma para ler a Bíblia, todos os dias, às 6 da tarde. Estava equilibrado. Limpo, barbeado, cabelo aparado. Respondia rápido, embora gaguejando um pouco. Em nenhuma das duas ocasiões ele negou o crime. Na entrevista da semana passada, fez pequenos reparos ao contado da outra vez, ressalvando que poderiam prejudicá-lo perante os jurados. E desta vez, ele atribuiu sua violência a um novo personagem: o demônio.





