Brasileiro lê, em média, quatro livros por ano
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quarta-feira, 28 de março de 2012
Vítor Ogawa <br>Reportagem Local 
Londrina - Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro divulgada ontem mostra que o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano e que apenas metade da população pode ser considerada leitora. Denominado Retratos da Leitura, o estudo realizado entre junho e julho de 2011 entrevistou mais de 5 mil pessoas em 315 municípios. O levantamento aferiu que o Brasil tem hoje 50% de leitores ou 88,2 milhões de pessoas. Se encaixam nessa categoria aqueles que leram pelo menos um livro nos últimos três meses, inteiro ou em partes. Entre as mulheres, 53% são leitoras, índice maior do que o verificado entre os entrevistados do sexo masculino (43%).
Ao perguntar para os entrevistados quantos livros foram lidos nos últimos três meses, período considerado pelo estudo como de mais fácil para lembrança, a média de exemplares foi 1,85. Desse total, 1,05 exemplar foi escolhido por iniciativa própria e 0,81 indicado pela escola.
Entre os estudantes, a média de livros lidos passa para 3,41 exemplares nos últimos três meses. Os alunos leem 1,2 livro por iniciativa própria, divididos entre literatura (0,47), Bíblia (0,15), livros religiosos (0,11) e outros gêneros (0,47).
Segundo a diretora da Biblioteca Pública de Londrina, Rosângela Rocha de Mello, a exemplo da pesquisa nacional, as mulheres são maioria entre os frequentadores da instituição.
Já a professora de produção literária da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Joyce Elaine de Almeida Baronas, o índice de leitura do londrinense não se diferencia da média nacional aferida pela pesquisa do Instituto Pró-Livro. Ela adverte, no entanto, que a aquisição de livros ainda é difícil devido ao preço considerado alto para os padrões brasileiros. ''Há também uma questão política, pois quanto mais inculta é a população, mais fácil de ser manipulada'', avaliou.
Professora de linguística do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da UEL, Mariângela Joanilho destaca que a questão da leitura está relacionada basicamente ao acesso à escola. Para quebrar esse círculo vicioso da falta de hábito de leitura, aponta ela, são realizadas algumas ações locais. ''Por isso os professores dos cursos de Letras e de Pedagogia realizam projetos para tentar mudar esses hábitos. O aluno do curso de Letras precisa ler muito, senão não há como trabalhar'', afirmou.
O representante comercial Edson Felipe admite que não tem o hábito de ler livros. ''Leio em média um livro por ano, mas por outro lado gosto de ler jornais, revistas e sites'', disse. Ele relata que tem preferido ler no computador pela facilidade proporcionada de acessar várias ferramentas ao mesmo tempo. ''Eu acesso o e-mail de trabalho e ao mesmo tempo vou entrando nos sites de notícias'', disse.
O contabilista aposentado Nelson da Silva, de 78 anos, é um frequentador assíduo da Biblioteca Pública e declara ler dois livros por mês. ''Em um ano leio 24 livros e geralmente o gênero que escolho é esotérico ou místico'', especificou. A opção por esse gêneros, diz ele, está relacionada à busca pela felicidade e pelo viver bem.
A vendedora ambulante Leisiane Costa, embora não tenha lido nenhum livro este ano, geralmente lê quatro a cinco obras por ano. '' Eu trabalho em frente à biblioteca, mas acho que os brasileiros em geral não leem por falta de tempo ou por eleger outras prioridades, como trabalhar e estudar'',(Com Agência Brasil)



