NUKUALOFA (AE) - Sim, existe um brasileiro no pedaço. Chama-se Carlos Bettencourt, de 42 anos. É paulista, de Moema. Era redator publicitário nas agências Almap e Artplan, várias vezes premiado. Largou tudo para viver entre os nativos, há cinco meses.
"Aqui, não existe estresse, o povo vive para aproveitar coisas básicas, sensoriais, como comer, dançar. O dinheiro não move a vida deles, é uma sociedade fascinante", diz Bettencourt - magro quando saiu do Brasil, ele já exibe leves bochechas, coradas pelo sol. Será que foi a crise dos 40 que fez o homem isolar-se dos seus? "Não. Eu estava questionando minhas opções profissionais, procurando uma nova motivação na vida, quando encontrei Tonga, na Internet."
Bettencourt conta que teve um lampejo, do tipo "é pra lá que eu vou". No dia seguinte ao estalo, vendeu sua parte da sociedade na agência da família Bornhausen. Em seguida, mudou-se para o norte de Nukualofa. Hoje, ele vive num hotelzinho de US$ 110 por mês.
Comprou um computador portátil, está escrevendo um livro sobre os costumes e a culinária local - material para pesquisa não lhe falta. O homem quer ficar no pedaço até a virada do milênio. A decisão é parte de uma ambição íntima: "Vou superar 160 milhões de brasileiros." Essa, ele explica fácil: "Como Tonga está 16 horas adiante do Brasil, vou assistir o milênio nascer antes do que eles". (R. A. O.)

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