São Paulo - O brasileiro tem mais facilidade com números do que com a leitura e a escrita. Uma pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada ontem prova o que já se via no balcão de bar, no ônibus, na barraca de camelô. Pessoas às vezes incapazes de escrever mais que o próprio nome fazem contas de cabeça. A dificuldade maior, porém, está em resolver problemas com mais de uma operação, cálculos de porcentagem ou mesmo entender mapas, gráficos e tabelas. Apenas 21% da população chega a esse nível de habilidade matemática.
O levantamento ouviu duas mil pessoas - em uma amostragem de todas as classes sociais, níveis escolares e idades - e concluiu que 3% dos brasileiros não conseguem sequer ler o preço de um produto no supermercado. Eles são os chamados analfabetos funcionais em matemática. O conceito se relaciona à capacidade de utilizar as habilidades em leitura e escrita no dia-a-dia. Mesmo entre as pessoas que cursaram até a 3 série do ensino fundamental, há analfabetos funcionais.
No ano passado, o estudo foi realizado pela primeira vez, medindo a capacidade de leitura e o número de analfabetos foi superior ao verificado em matemática: 9%. ''Entender os números e fazer contas acaba sendo uma questão de sobrevivência'', diz o secretário-executivo do Instituto Paulo Montenegro, braço para educação do Ibope, Fábio Montenegro.
A maior parte dos brasileiros (44%) se concentra no nível 2 de alfabetismo matemático, um abaixo do maior. Eles são capazes de fazer operações usuais como adição e subtração e até mesmo algumas multiplicações isoladas. Com isso, conseguem contar dinheiro, fazer troco e comparar números decimais. ''Levo uma meia hora para juntar as letras, mas troco eu não erro'', diz Manoel Mariano da Silva, de 41 anos, que trabalha numa barraca de frutas.
A pesquisa, chamada de Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF), é organizada também pela ONG Ação Educativa. O objetivo é fornecer os dados - inéditos no País - para governos e entidades.

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