Brasileiro está otimista em relação a 2000, mas vê governo mal
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 16 (AE) - A popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso, em sucessivas quedas desde março deste ano, subiu um ponto percentual em novembro último, passando dos 16% registrados em setembro para 17%, conforme dados da pesquisa Ibope/CNI, realizada com 2000 entrevistados em todo o País, e divulgada hoje pela entidade. A pesquisa também mostrou que o número daqueles que aprovam o modo como o presidente governa o País (26%) e dos que apostam em uma melhora no restante do seu mandato (22%), continuam inalterados desde setembro passado. "Apesar disso 68% dos brasileiros acreditam que o ano 2000 será melhor", observou o presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira.
A pesquisa, feita pelo Ibope entre os dias 25 a 29 de novembro com eleitores com 16 anos ou mais, mostra que a maioria relativa de 48% (três pontos percentuais a menos que setembro) continua a avaliar o governo como ruim ou péssimo. A avaliação negativa dos mais escolarizados é maior (53%) que a dos menos escolarizados (41%). Os que moram nas capitais e na periferia, bem como em cidades com mais de 100 mil habitantes, são os que mais desaprovam a forma como presidente governa (77% nos três casos).
Os que menos confiam no presidente também são os que moram na periferia (81%) e os que moram em cidades com mais de 100 mil habitantes (79%). Em contrapartida, 41% dos que ganham até um salário mínimo confiam no presidente.
OTIMISMO - Apesar da redução no grau de aprovação e de confiança no governo, a maioria dos entrevistados (70% na média durante o ano) se declarou feliz com a vida que leva, enquanto para 58% deles este ano está sendo muito bom ou bom. Com relação ao ano 2000, 68% das pessoas consultadas acreditam que será muito bom ou bom, mantendo um grau de otimismo muito semelhante ao de 1999, que foi de 68% quando esta mesma pergunta foi formulada em dezembro de 1998.
Para saber qual a expecativa dos brasileiros com relação à próxima década, o Ibope fez perguntas específicas centradas em seis temas: crescimento econômico, desenvolvimento na área social, controle da inflação, violência, democracia e presença do estado na economia. Para 38% dos entrevistados haverá maior crescimento econômico, enquanto para 35% e 34% deles haverá maior desenvolvimento social e maior controle da inflação respectivamente. A surpresa veio com a preocupação com a violência, que deverá aumentar para 68% dos entrevistados.
Para o presidente da CNI, a perda de popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso se deve ao lento andamento das reformas políticas e sociais, ao impacto provocado pela desvalorização cambial, e aos aumentos das tarifas públicas, especialmente o aumento dos combustíveis. Para o consultor político da CNI, Ney Figueiredo, que acompanha e analisa todas as pesquisas de opinião encomendadas pela entidade, a confiança no presidente caiu porque a sua imagem estava muito ancorada no sucesso do Real.
"Com os problemas para manter o Real essa popularidade caiu. Agora, porém, o brasileiro já desvinculou o andamento do País do desempenho do governo", observa.
Ney Figueiredo explica que a população está percebendo que o País pode crescer, independentemente do governo, e que medidas recentes, como a redução dos juros, melhora no desempenho industrial e a última mudança ministerial - "que acabou com as fofocas ministeriais" - contribuem para isso. Para ele, esse quadro otimista é favorável ao presidente Fernando Henrique, uma vez que a manutenção de uma conjuntura econômica poderá fazer com que ele recupere a sua popularidade. Esse quadro otimista também deveria, na opinião dele, servir de alerta ao Partido dos Trabalhadores. "Está provado que a aposta no caos que o PT faz não corresponde ao que a população pensa", salienta.
A pesquisa CNI/Ibope também demonstra que, embora o desemprego continue sendo o maior problema para 76% das pessoas, seguido da saúde (41%) e do salário dos trabalhadores (33%). Houve, contudo, uma queda nesses índices que eram respectivamente de 83%, 50% e 35% em setembro.
Aumentou, em contrapartida, a preocupação para 40% dos entrevistados com as drogas e para 28% deles com a segurança pública, uma vez que esses índices eram de 31% e 22% em setembro passado, respectivamente.


