Brasileiro é único suspeito da morte de antiquário
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domingo, 14 de março de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira, especial para a AE 
Nova York, 15 (AE) - O chefe de polícia de Nova York, Howard Safir, disse nesta segunda-feira (15) às 11 horas que "está resolvido" o assassinato do antiquário brasileiro João Sabóia, de 56 anos, ocorrido sábado no luxuoso hotel Waldorf-Astoria.
Safir fez a afirmação a uma comitiva do Governo de Santa Catarina, mas sem revelar o nome do criminoso. A visita dos catarinenses não teve nenhuma relação com o caso.
Segundo detetives que investigam a morte de Sabóia, o único suspeito do crime é o também brasileiro Mário Sherer, que seria seu companheiro no apartamento 2716, local do assassinato.
A imagem de Sherer aparece nos tapes da câmara de vigilância do 27º andar do hotel, entrando no quarto com Sabóia e saindo dele sozinho. Ainda segundo os detetives, Sherer deixou o hotel e viajou para o Brasil na mesma noite do crime.
Para confrontar as imagens da câmara do 27º andar com Sherer, a polícia obteve sua foto e impressões digitais com o Consulado Americano no Rio de Janeiro, local onde ele tirou o visto de entrada nos Estados Unidos.
Mesmo com dúvidas sobre a autoria do crime, a polícia acredita que o motivo foi roubo - Sabóia saiu do Brasil com US$ 50 mil e teria ganho outros US$ 20 mil em um cassino. No seu quarto, foram encontrados apenas US$ 1.300.
Sabóia chegou aos Estados Unidos no sábado 6 de março, viajando para Atlantic City (200 quilômetros ao sul de Nova York), onde hospedou-se no Hilton Hotel. Lá, depositou um cheque de US$ 50 mil com a gerência do cassino.
O antiquário era um jogador conhecido no pedaço. A polícia apurou que nos dias seguintes, até a sexta-feira 12, ele ganhou US$ 20 mil jogando bacará, elevando seu saldo para cerca de US$ 70 mil.
Na sexta, ele viajou para Nova York, hospedando-se no Waldorf-Astoria. Seu plano era juntar-se com um grupo de brasileiros de uma excursão, para assistir à luta de boxe entre Evander Holyfield e Lennox Lewis, no sábado.
Sabóia foi capturado pelas câmaras do hotel três vezes. No momento de sua entrada no hotel, na companhia de uma mulher desconhecida. Em seguida, entrando no elevador com Sherer, ainda na sexta. E nas imagens da câmara do 27º andar. Depois, não foi mais visto, até a descoberta de seu corpo, às 17h30 de sábado.
Naquela tarde, o grupo de amigos da excursão foi procurá-lo em seu quarto. Como ele não respondeu, a segurança do hotel foi chamada. Seu corpo foi descoberto degolado e com mutilações no rosto.
O crime está tendo grande repercussão em Nova York. Foi notícia em todos os jornais. O prefeito Rudolph Giuliani está pressionando a polícia por resultados - a morte de um turista, num hotel famoso como o Waldorf, compromete a imagem de cidade segura vendida por sua administração.


