Brasileiro é preso pelo assassinato da mulher na França
Corpo de Franciele Alves foi encontrado no apartamento do casal nas proximidades de Paris
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de setembro de 2020
Corpo de Franciele Alves foi encontrado no apartamento do casal nas proximidades de Paris
Vitor Struck - Grupo Folha 
A paranaense Franciele Alves da Silva, 29, esfaqueada e morta pelo marido em Champigny-sur-Marne, próximo de Paris, esteve em uma igreja evangélica em busca de relatar o medo que sentia dentro de casa. Entretanto, não foi encorajada a denunciar à polícia aquilo que também já havia mencionado à própria família por meio de mensagens em aplicativos. O marido, Rodrigo Martin, 27, se entregou 24 horas depois e confessou ter sido o autor do feminicídio, cometido na noite de sexta-feira (25).
O casal morava em Paiçandu (Região Metropolitana de Maringá) antes de mudar para a França. Os filhos deles, de dois e quatro anos, estão sob os cuidados da Justiça francesa.
"Aconteceu que ela não conseguiu se libertar, não conseguiu a tempo pedir ajuda ao local certo. Ela esteve em uma igreja evangélica e como nós sabemos, aqui mesmo em Paris, várias mulheres me procuraram em relação isso, dizem que procuraram a igreja normalmente pelo conforto da língua, e muitas das vezes são mal orientadas", relatou à FOLHA Nelma Barretto, fundadora do grupo Femmes de la Résistence (Mulheres da Resistência).
Franciele e Rodrigo estavam juntos havia mais de cinco anos e foram morar na França em busca de um futuro melhor para os filhos. O medo de ser deportada, já que morava no país de forma ilegal, colaborou para a mulher não ter procurado ajuda anteriormente, assim como ocorre com muitas imigrantes vítimas de violência doméstica, avaliou Barretto.
Barretto informou que os filhos do casal estavam no apartamento no momento do crime. "Segundo informações as crianças estavam no local do crime. Hoje (segunda) estivemos na prefeitura de onde ela morava, falamos com o prefeito e a vice que estão engajados e as crianças foram acolhidas para o Estado, para um orfanato. Eles vão dar toda a assistência psicológica até a chegada da família", explicou.
A reportagem tentou entrar em contato com o irmão de Franciele, que mora em Paiçandu, mas não obteve sucesso até o fechamento desta edição.
Para viabilizar a ida do irmão de Franciele à França para que possa assinar os documentos da liberação do corpo, realizar o translado para o Brasil e a recuperação da guarda das crianças, o grupo criou uma vaquinha virtual. Conforme informou Nelma Barretto, após realizar orçamentos em funerárias que fazem o repatriamento, o custo deve ficar em torno de 4 mil euros. Entretanto, ainda serão necessários fundos para custear as passagens e estadia do irmão de Franciele, além do retorno dos familiares ao Brasil. Até a noite desta segunda-feira, 108 doações já haviam sido realizadas na plataforma virtual francesa Helloasso.
O crime foi comunicado à polícia por uma vizinha do casal. Franciele foi encontrada com uma faca no peito e ainda com vida. Segundo informou a ativista, somente no ano passado, 152 mulheres foram vítimas de feminicídio na França. "Com uma população de 75 milhões de pessoas, então a violência doméstica está em todos os lados", relatou Barretto.


