Brasília, 20 (AE) - Sequestrado há 65 dias por três homens armados na cidade de Nalchik, capital da república dos Cabardinos e Balcários, região próxima à Chechênia, na federação Russa, o enfermeiro da Cruz Vermelha, Geraldo Cruz Pires Ribeiro
de 55 anos, foi libertado hoje (20). A área onde o brasileiro estava detido fica no Cáucaso do Norte, na federação Russa.
Ribeiro, que está mais margo, foi encontrado pelo serviço secreto russo na Ingunchetia, e levado ao aeroporto militar de Tchkalovski, onde foi entregue ao Ministério do Interior da Rússia. De lá, Ribeiro seguiu para Genebra, na Suíça, onde chegou no final da tarde de hoje. O filho de Ribeiro, Tomas Emanuel Ribeiro Cruz, que estava em Brasília desde dezembro, viajou à tarde para Genebra.
A libertação do brasileiro foi comunicada às 9h15 de hoje (às 15h15 no horário da Rússia ) à embaixada brasileira na Rússia pelo Ministério do Interior daquele país, que não revelou detalhes da operação para libertar Ribeiro. Depois de libertado, Ribeiro foi levado ao aeroporto militar de Tchkalovski e entregue ao Ministério do Interior russo. "Meu irmão está bem e já viajou para a Suíça", informou o irmão de Ribeiro, o coronel reformado do Exército Gabriel Cruz Pires Ribeiro.
"Foi um milagre o que aconteceu", desbafou, em tom aliviado
ao falar hoje sobre o sequestro na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília. Gabriel recebeu a notícia às 4h30 da manhã de hoje (horário de Brasília). O comunicado partiu de um funcionário da Cruz Vermelha Internacional.
O fim do sequestro do brasileiro foi confirmado pela encarregada de negócios da embaixada brasileira em Moscou, Cláudia D´Angelo. O Itamaraty também entrou em contato com a família de Geraldo Ribeiro no Brasil, comunicando a sua libertação. "Ele (Geraldo Ribeiro) fez exames e está bem, apenas mais magro", informou D´Angelo, explicando também que não houve pagamento de resgate.
Antes de embarcar para Genebra, Ribeiro foi examinado por um grupo de médicos russos no aeroporto de Moscou. Ele apresentava pequenos cortes nos pulsos por ter ficado algemado parte do tempo em que permaneceu no cativeiro. Segundo autoridades russas
o brasileiro permanecia o dia solto e algemado à noite, e a libertação só não aconteceu antes porque os sequestrados mudavam constantemente o local do cativeiro.
Após libertado, Geraldo Ribeiro teria sido irônico quando indagado sobre seu estado de saúde. "Estou mais magro, perdi peso e isso me fez bem", disse Ribeiro a diplomatas brasileiros em Moscou, antes de viajar para Genebra. A família de Geraldo está tentando trazê-lo de volta ao Brasil.
Para isso, o rimão Gabriel Cruz Ribeiro requereu à Comissão Especial de Anistia do Minsitério da Fazenda a reintegração de Geraldo ao quadro funcional da Caixa Econômica Federal. Em 1971, Geraldo deixou o Brasil e seu emprego na CEF por motivações políticas.
Geraldo Ribeiro foi sequestrado dia 15 de maio em Nalchinck, ao norte do Cáuscaso e próxima à Chechênia, onde ainda há guerra civil, juntamente com uma enfermeira e intérprete russa. Eles foram sequestrados quando deixavam um escola, onde ministravam um curso de primeiros socorros. Passados alguns dias, as duas russas foram libertadas. O brasileiro já participou de mais de 50 missões humanitárias pelo mundo.
A OAB também interferiu no caso. Há uma semana, Gabriel retornou de Genebra e da Rússia onde foi pedir apoio para garantir a liberdade de Geraldo. Segundo ele, a ação dos governos brasileiro, neo-zeolandês e da Cruz Vermelha foi decisiva para libertar o brasileiro das mãos dos sequetradores russos.

mockup