Brasileiro é indiciado nos EUA por lavagem de dinheiro
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Renan Antunes de Oliveira (especial para a AE) 
Miami, 20 (AE) - O empresário brasileiro José Maria Teixeira Ferraz Filho, de 46 anos, um dos cinco implicados num inquérito do FBI que investiga lavagem de dinheiro do narcotráfico em Miami, foi indiciado quarta-feira na Corte Federal de Palm Beach. Preso desde 31 de março, pois não conseguiu pagar fiança de US$ 100 mil, ele aguarda julgamento, previsto para iniciar em 5 de julho.
Ferraz Filho foi o último dos cinco indiciados da suposta quadrilha de "lavadores", composta, segundo as autoridades americanas, pelo empresário Oscar de Barros, o ex-doleiro Jamil Deegan, o americano Jack Lance e o inglês Nigel Ramsey, cuja prisão deu origem ao caso contra os demais.
Especula-se que cada um dos implicados está tentando conseguir um acordo em separado com o promotor distrital da Flórida, Joseh Capone, que conduz o caso. Deegan já está em liberdade depois de pagar fiança e aparece como a mais provável testemunha contra os demais. A Justiça está pedindo 20 anos para cada um dos implicados.
Barros está detido na carceragem da Federal Bureau of Prison (FBP), em Miami. Hoje, ele recebeu a visita do amigo Alvaro Castillo, um nicaraguense de 35 anos, advogado dele e do ex-presidente Fernando Collor.
A pedido da reportagem, Castilho levou um questionário para Barros. Nas respostas, ele afirmou "estar com o espírito em alta, mas um pouco brabo com esta injustiça que fazem comigo". O empresário reclamou que a fiança é muito alta, "porque só tenho uma acusação, enquanto o outro tem mais, mas conseguiu ficar livre"(provavelmente referindo-se a Deegan).
Barros e Ferraz viviam como marajás em Miami, até a prisão pelo FBI. Os dois não conseguem pagar fiança porque não podem explicar a origem de seu dinheiro. Contra eles há um segundo inquérito, ainda em fase inicial, na promotoria distrital de Nova York, no qual são acusados de corromper funcionários da Prefeitura de São Paulo em favor da multinacional MetroRed.
Os empresários são conhecidos da política brasileira - tentaram vender o dossiê Cayman aos partidos de oposição, nas eleições de 1998. Tratava-se de uma coleção de documentos, supostamente forjados, cujo objetivo era denunciar a existência de contas secretas no exterior do presidente Fernando Henrique Cardoso, do governador Mário Covas, do ministro da Saúde José Serra e do então ministro das Comunicações Sérgio Motta, já morto.
O advogado Alvaro Castillo explicou seu envolvimento com os dois: "Há quatro anos, fui apresentado a ele por um funcionário de um banco, fiz uma transação imobiliária e a abertura da firma dele", afirmou. "Depois, nunca mais o vi."
Documentos obtidos pela reportagem mostram que o nome Alvaro Castilho aparece como "agente" (representante legal) da Gazeta de Alagoas Holding Corporation, no relatório anual da empresa em 1996, e como "agente" e "executivo" e ou "diretor" da Gazeta de Alagoas International Corporation, no relatório anual de 1998.


