Brasileiro é assassinado em hotel de Nova York
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira Especial para a AGÒNCIA ESTADO 
Nova York, 14 (AE) - O antiquário brasileiro João Sabóia
de 56 anos, foi assassinado a facadas no apartamento 2716 do hotel Waldorf-Astoria, no sábado. O corpo foi descoberto com mutilações, degolado de orelha a orelha. Seu quarto foi saqueado e o assassino ou assassinos teriam levado US$ 50 mil, dinheiro que o antiquário ganhara num cassino na noite anterior.
Solteiro, Sabóia vivia com a mãe, Solange, em Belém (PA)
onde era dono de uma loja de antiguidades. Ele costumava viajar todo mês aos Estados Unidos, para jogar no cassino Taj Mahal, seu favorito em Atlantic City.
Sabóia foi visto com vida pela última vez na sexta-feira
entrando no hotel com uma mulher - os dois foram gravados pelas câmaras de vigilância do prédio. Sabóia viajara sozinho de Belém
na segunda-feira. Estava com retorno marcado para terça. A polícia procura pela misteriosa mulher. O crime foi descoberto pela segurança do hotel, às 17h30 de sábado, alertada por amigos que foram a seu quarto buscá-lo para ver a luta de boxe entre Evander Holyfield e Lennox Lewis.
Investigadores da delegacia de Midtown realizaram perícia no quarto. Impressões digitais foram recolhidas na porta e no interior do apartamento antes de o local ser interditado. O Consulado do Brasil foi avisado.
Depois de liberado pela perícia, o corpo foi levado para o necrotério em um saco preto. Antes de chegar à rua, os policiais que empurravam a maca atravessaram o salão do hotel, onde se realizava um baile beneficente de máscaras. As imagens foram gravados pelo canal NY1, que fazia a cobertura do baile. Num primeiro momento, a nacionalidade de Sabóia foi confundida: o New York Times de hoje informou que ele seria europeu.
Hotel - O Waldorf-Astoria é o Copacabana Palace dos americanos. Seu edifício, no quarteirão central da Avenida Park, é um marco histórico. Está na lista dos 50 prédios especialmente protegidos, como potencial alvo de atentados terroristas. No último andar, abriga a residência oficial do embaixador dos EUA na ONU. É o preferido do presidente Bill Clinton, quando em visita na cidade. Mesmo com segurança especial, o brasileiro João Sabóia foi degolado lá dentro, como se estivesse numa rua do bairro do Bronx - e, até ontem à tarde, ninguém vira ou ouvira nada.
O quarto 2.716, no 27º andar, o último de acesso permitido aos hóspedes comuns, onde Sabóia estava hospedado, é dos mais baratos, com diária de US$ 420. Sua localização, num desvão ao final de um longo corredor acarpetado, pode ter influido no crime - nenhum som pode ser ouvido do lado de fora, ou lá de dentro. No domingo de manhã, apenas horas depois do crime, o hotel estava agitado - o assassinato dominava as conversas.
No salão de café do 26º andar, apenas um abaixo da cena do crime, a notícia chegou como uma bomba. "Um assassinato?", perguntava, surpresa, uma inglesa. "John!", gritou, chamando o marido, que recolhia brioches na mesa do bufê. Ouça o que este gentleman está contando, alguém foi assassinado."
Um garçom, o africano Papa Sek, ficou chocado com a novidade: "Degolado? Aqui em cima da minha cabeça." Júlia, chefe das faxineiras, disse que o quarto 2.716 ficaria fechado até ser liberado pela polícia. "Vai me poupar trabalho." E os amigos brasileiros que estariam numa mesma excursão com o morto, não foram encontrados. Ou não quiseram aparecer.
Agentes uniformizados do Departamento de Polícia de Nova York entraram no prédio várias vezes, durante o dia, para investigações complementares. Na portaria, às 11 horas, a informação oficial dos funcionários era que o brasileiro Saboia já havia saído do hotel - uma mentira que não deixava de ser verdade. O antiquário brasileiro é o quarto assassinado em 68 anos de história do Waldorf-Astoria.


