Rio, 05 (AE) - Um aluno de mestrado da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) desenvolveu uma nova forma de produção de um insumo fundamental para a indústria alimentícia e farmacêutica que pode reduzir em até cinco vezes os custos de fabricação desses produtos. Com a descoberta, o País poderá produzir membranas utilizadas na purificação e esterilização da água e outros líquidos que, até hoje, são importadas pela indústria nacional.
Por conta desse trabalho, o estudante Marco Di Luccio, de 27 anos, ganhou o prêmio do Comitê do Congresso Mundial de Processos com Membrana, concorrendo com outros 400 trabalhos apresentados por estudantes de pós-graduação do mundo inteiro. A premiação, US$ 1 mil, será entregue em junho, no Canadá. Esta é a primeira vez que um brasileiro é ganha esse prêmio.
O rapaz mostrou-se surpreso com a premiação. "Não esperava ganhar, me inscrevi sem pretensão nenhuma", disse. "Mas acho que o prêmio é o reconhecimento do trabalho brasileiro no exterior". Inovação - Di Luccio apresenta uma inovação no processo de produção das membranas. O estudante descobriu que poderia fabricar membranas tão eficazes quanto as importadas utilizando um polímero nacional chamado policarbonato (uma espécie de plástico usado na engenharia), em vez de outros tipos de plástico usados pelas indústrias estrangeiras, como a polisulfona e a polietersulfona.
Além de ser o único disponível no mercado brasileiro, o policarbonato custa cinco vezes menos que os outros polímeros. Enquanto o quilo da polisulfona e da poliestersulfona custa, em média, US$ 30, o do policarbonato, US$ 6. "Atualmente, o Brasil importa todas as membranas que consome", afirmou Di Luccio. Com a nova tecnologia, o País seria capaz não só de produzir a membrana, como também usar um polímero nacional e baratear o custo da produção, principalmente neste período de desvalorização do real. Aplicações - A membrana tem as mais diversas aplicações, tanto na indústria farmacêutica como alimentícia. Usada para filtrar e purificar a água, separando as partes sólidas da líquida, ela é utilizada tanto para purificar a matéria-prima de uma vacina, por exemplo, quanto para fazer com que as bebidas alcóolicas tenham um aspecto agradável. "Ela serve para clarear os vinhos", exemplificou o professor Cristiano Borges, orientador de Di Luccio. "É usada também para purificar todos os tipos de medicamentos aquosos, principalmente os injetáveis".

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