Curitiba - Um dos maiores especialistas no desenvolvimento de vacinas contra malária do mundo esteve ontem em Curitiba fazendo uma palestra no Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). O brasileiro Vítor Nussenzweig, 74 anos, professor da Universidade de Nova York há mais de 40 anos, trabalha há 32 anos no desenvolvimento de uma vacina que impede que a doença seja transmitida pelo mosquito. Todas as outras vacinas em estudo atacam o desenvolvimento da doença na corrente sanguínea, quando já há sintomas da malária.
Atualmente, há vários institutos de pesquisa desenvolvendo vacinas contra a malária, algumas em estado mais avançado do que a da equipe de Nussenzweig. O pesquisador disse que o Brasil tem uma situação mais controlada sobre a malária, pois apesar de haver a doença na região amazônica, o sistema de saúde consegue tratar e evitar mortes. Já na África, a malária mata cerca de um milhão de crianças por ano. Ele explicou que a vacina pesquisada pela Universidade de Nova York ainda precisa ser testada numa zona endêmica.
Na primeira fase, testou-se a toxicidade da vacina e a possibilidade dela produzir anticorpos, destruindo o agente infeccioso. Essa etapa conta com poucos voluntários, geralmente estudantes da universidade, que recebem quantidades muito pequenas da substância. Na segunda fase, os voluntários vacinados foram picados por mosquitos infectados. Nussenzweig explicou que não há risco para os voluntários, pois eles fazem exames de sangue a cada 12 horas para verificar se há a presença do parasita. Em caso positivo, o voluntário é tratado mesmo antes de ter sintomas.
Na terceira fase, que a vacina deverá entrar agora, o teste é feito numa zona endêmica. No universo de pacientes acompanhados, são aplicadas vacinas verdadeiras e inócuas, para que os resultados sejam tabulados imparcialmente.
Nussenzweig trabalha numa equipe coordenada por sua mulher Ruth e os dois foram homenageados por uma associação médica em São Paulo, por uma pesquisa que desenvolveram quando ainda estavam no Brasil há mais de 40 anos. Eles descobriram um método para esterilizar o sangue contra a Doença de Chagas usando violeta genciana.

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