Brasileiro ainda resiste ao uso de preservativo, revela pesquisa
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 10 (AE) - Pesquisa realizada pela Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil (Bemfam) com 2.949 homens, entre 15 e 59 anos, revela que o brasileiro ainda resiste ao uso da camisinha. Dos pesquisados, apenas 14,7% admitiram usar o preservativo. O índice que cai para 5,2% entre os que declararam ser casados ou manter relação estável com uma parceira (57% do total).
Estes números fazem parte do estudo Comportamento Reprodutivo e Sexual da População Masculina, divulgado hoje. "Eles indicam que é preciso conscientizar os homens a respeito da importância do preservativo como forma de prevenção da aids, principalmente quando se detecta que vivemos em uma sociedade que não é monogâmica. O uso da camisinha requer uma mudança de comportamento que enfrenta resistência cultural muito forte", diz a coordenadora do estudo, Elizabeth Ferraz.
Entre as razões para não usar o preservativo, 44,1% dos homens argumentaram que a parceira utiliza outro método anticoncepcional. "Eles estão muito mais preocupados com a questão da gravidez do que com a prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e da aids", afirma a pesquisadora. Estável - Outros 28,3% disseram que pelo fato de manter um relacionamento fixo não havia necessidade de usar a camisinha. É o caso do técnico de som José Augusto Lima, de 35 anos, casado há sete anos. "Não uso camisinha porque confio na minha mulher. Quando era solteiro eu usava", diz. "Não acho arriscado; comportamento de risco é você conviver com uma pessoa em quem não confia". Ele tem um filho de seis anos e não faz exame de HIV há quatro anos. "Só tenho uma parceira e acredito que estou imune, a confiança é fundamental, acrescenta".
Do total de entrevistados, 30% afirmaram ter mantido relação sexual com mais de uma parceira no ano anterior ao da pesquisa. De acordo com o estudo, 39,6% dos homens não utilizam qualquer tipo de método contraceptivo. "Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade machista", afirmou o secretário-executivo da Bemfam, Ney Costa. "O grande componente é a ignorância, a falta de conhecimento sobre a questão, que torna preocupante o comportamento principalmente do homem adulto
com mais de 40 anos", diz. Escolaridade - O estudo faz uma relação do nível de escolaridade com o uso da camisinha. Entre os homens com até três anos de estudo, 6,8% usam o preservativo. Esse índice sobe para 19,4% entre aqueles com cinco a oito anos de escolaridade e chega a 23 5% entre os homens com 12 ou mais anos de estudo. Cerca de 90% dos entrevistados declararam assistir televisão pelo menos uma vez por semana e 55% lêem jornal regularmente.
Segundo a pesquisa, o uso de camisinha é maior entre os jovens (24%) e cai gradativamente de acordo com a idade: na faixa etária de 35 a 39 anos, 9% dos homens usam o preservativo e, entre 40 e 44 anos, apenas 5%. Na faixa de 50 a 59 anos, esse índice é de apenas 0,9%. Mulheres - De acordo com dados do Ministério da Saúde, o número de casos de aids entre mulheres triplicou no País no período de 1991 a 1996, passando de 5,8 para 18 a cada 100 mil habitantes. A maior incidência foi verificada entre jovens de 15 a 19 anos. As mulheres contabilizam 41.052 dos 170 mil casos da doença notificados pelo ministério desde 1981. "As estatísticas mostram que as mulheres estão sendo contaminadas em casa", afirma o secretário-executivo da Bemfam. O Ministério da Saúde estima que 536 mil pessoas estejam infectadas pelo vírus HIV no País.


