Apesar de ser o segundo maior produtor de soja do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos, o Brasil ainda consome pouco: por aqui, a soja é sinônimo de matéria-prima de óleo comestível e ração animal. Nos Estados Unidos, Europa e Japão, a soja é consumida como alimento funcional. A indústria brasileira tem uma oferta insignificante de produtos alimentares à base de soja.
Segundo informções da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Londrina, desde 1985, os pesquisadores da soja desenvolvem estudos sobre as potencialidades do grão. Em 1999, chegou ao mercado a primeira semente (BR-155) especialmente desenvolvida para a alimentação humana. No mesmo ano foram criadas pelos pesquisadores 37 novas receitas adaptadas ao paladar dos brasileiros. As receitas vão ser lançadas em um manual ainda este ano. A Embrapa também presta assessorias para as prefeituras, apresentando formas viáveis de produção de leite com sabor, pães e biscoitos feitos de soja.
A nutricionista clínica e docente do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon) Flávia Hernandez Fernandez, concorda com as qualidades nutricionais da soja. Segundo ela, outros produtos brasileiros, ricos em vitaminas e proteínas podem ser melhor aproveitados pela população.
Flávia Fernandez diz que o quintal da casa é uma opção para se produzir alimentos em uma mini-horta, a um custo mínimo. O chuchu, couve, tomate, cenoura, cebolinha e alface são de fácil cultivo e têm boa produtividade o ano inteiro. As cascas e folhas dos legumes podem ser cozidas, engrossando o teor nutricional de sopas.
Nas famílias atingidas pela fome, o cardápio diário, composto de arroz, feijão, fubá, macarrão e ovo são responsáveis por uma dieta rica em carboidratos e lipídeos (gorduras) e pobre em proteínas. O ovo, se consumido duas vezes por semana, pode aumentar o nível de colesterol. De acordo com a nutricionista, as dez principais causas de morte de brasileiros, entre elas a obesidade e a desnutrição estão relacionadas à alimentação.
Alguns cuidados, lembra Flávia Fernandez, devem estar presentes nos hábitos diários das famílias. Ferver a água e não guardar comida em recipientes sujos evitam doenças, agravando ainda mais a situação. A nutricionista recomenda às famílias cozinhar somente a comida do dia. Sobras de alimentos mal armazenados desenvolvem bactérias que podem levar à morte. (M.B.)

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