Brasileiro acusado de homicídio será julgado novamente em NY
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira 
São Paulo, 10 (AE) - Numa sessão tumultuada, a Suprema Corte Distrital do Queens reabriu nesta quinta-feira (10) o caso do motorista brasileiro Aristides Correia Neto, internado no manicômio judiciário desde março do ano passado pelo assassinato do engraxate e também brasileiro Orlando Costa e Silva. Com a decisão, Correia poderá ser julgado novamente. Na primeira vez, ele foi considerado mentalmente incapaz.
A reabertura ocorreu porque Correia foi apresentado à Corte visivelmente drogado com antidepressivos, desafiando ordem judicial anterior que proibira medicá-lo, para permitir ao tribunal uma avaliação de seu real estado mental. Nova audiência foi marcada para 23 de julho.
Vestindo uma camiseta cinza suja e rasgada, com barba comprida e cabelos desalinhados, Correia entrou na sala aparentando total desorientação - até para sentar precisou ser ajudado por dois guardas. Permaneceu calado durante hora e meia de audiência, com o olhar parado, fixo numa bandeira norte-americana.
Em depoimentos, uma junta de psiquiatras classificou o brasileiro de "esquizofrênico, paranóico e suicida". Os médicos afirmaram, porém, que ele pode entender as acusações, desde que sob efeito de medicamentos - estando apto para enfrentar um julgamento. O advogado Marvin Kornberg, o mais conceituado criminalista da cidade, sustenta que se o cliente precisa de remédios para entender, está insano. "Deve ficar num hospício e, como custa caro, o melhor é deportá-lo."
A promotoria exigia que Correia fosse julgado mesmo sob efeito de tranquilizantes. Parentes da vítima, que querem Correia cumprindo pena em Nova York, acusaram diplomatas brasileiros, presentes na audiência, de interferência em favor da extradição.
Na discussão, a promotora Michele Goldstein acabou sendo expulsa da sala pelo juiz. O psiquiatra Edward Wintberg, depondo em favor da promotoria, disse que "se Correia for solto e deportado poderá retornar a Nova York e cometer outros crimes". Segundo ele, Correia precisa ser mantido o tempo todo sob medicamentos e retirar sua medicação para permitir que seja julgado é desumano.
O crime ocorreu em março de 1998. A vítima e o assassino viviam juntos num apartamento em Astoria, o bairro dos brasileiros. Correia, que já tinha um histórico de doenças mentais no Brasil, matou o companheiro a facadas por motivos banais, enquanto, segundo ele, ouvia vozes de aliens. No primeiro julgamento, Correia foi considerado insano e confinado no hospital psiquiátrico Kings County. De lá para cá, ele foi mantido sobre efeito de tranquilizantes, numa ala para pacientes potencialmente suicidas.


