Salvador - Após terem tomado uma semana do antiviral Tamiflu (fosfato de Oseltamivir), indicado no tratamento da Influenza A (H1N1), o casal Neusa e Ricardo Machado continua com o quadro de saúde agravado pela pneumonia. ‘‘Estamos com medo, pois mesmo tomando todos os cuidados em casa, ficamos doentes. Conheço pessoas que morreram dessa gripe e isso me abriu os olhos para a dimensão do vírus’’, diz Neusa.
  O relato ilustra a percepção que a população brasileira tem a respeito da mortalidade do H1N1. E esse foi um dos motivos que levou o Ibope a realizar o primeiro estudo sobre a consciência do brasileiro a respeito de imunização e doenças infecciosas.
  Conforme a pesquisa ‘‘Protege Brasil’’, das 2.002 pessoas entrevistadas, a partir dos 16 anos, 35% responderam que a gripe A mata mais do que as doenças pneumocócicas, como a meningite e pneumonia. ‘‘Esta percepção revela o pânico da população em relação ao vírus’’, resume a infectologista Luiza Falleiros, do Instituto Emílio Ribas, de São Paulo.
  Do total de entrevistados, 52% eram mulheres, com ensino fundamental completo e 29% tinham crianças menores de 5 anos em casa. Os dados foram colhidos em 142 municípios, incluindo todas as capitais.
  A região Sul representou 15% das cidades participantes (Curitiba, Colombo, Piraquara, Tibagi, Figueira, Alvorada do Sul, São Jorge do Ivaí, Cianorte e Cascavel).
  Os dados da pesquisa, realizada em julho, foram divulgados durante evento em Salvador (BA), patrocindado pela Wyeth Indústria Farmacêutica.
Vacinação em 2010
  No mercado internacional, a corrida para a produção da vacina contra o vírus H1N1 é justificada pela chegada do frio ao hemisfério Norte, que acontecerá em meados de outubro. Isso garante ao Brasil um período hábil para se preparar contra a possível pandemia no próximo ano. A ‘‘estreia’’ no Hemisfério Norte poderá servir como observação no comportamento da vacina e até do vírus.
  A droga ainda está em fase de testes e, portanto, não se sabe se será aplicada em dose única ou com reforço e tampouco, para quando está prevista sua chegada à rede pública nacional. ‘‘Se ela chegar até meados de março e abril, está de bom tamanho’’, comenta o secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian.
  A assessoria da (SESA) diz que a disponibilização da vacina no Brasil e também no Paraná, é uma questão que deve ser abordada junto ao Ministério da Saúde.
  De acordo com o órgão, o Instituto Butantan é responsável no país por desenvolver as vacinas contra a gripe comum (sazonal) e estará à frente também no desenvolvimento em relação à gripe A. O Ministério da Saúde avaliará, junto ao Butantan, a necessidade de comprar vacinas prontas de outros fabricantes.
  A produção da vacina deverá começar em outubro, pois depende de uma autorização do grupo francês Sanofi-Aventis, responsável pela transferência de tecnologia. Se aprovada, os primeiros lotes deverão estar prontos em janeiro. A intenção é imunizar prioritariamente profissionais da saúde, grávidas e pacientes imunodeprimidos.
  * A repórter viajou a Salvador a convite da Wyeth Indústria Farmacêutica

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