Nova York, 18 AE-AP) - Elas são boas de bola, deslumbrantes e populares. E podem sambar tão bem quanto qualquer um de seus companheiros. Quando a equipe brasileira estiver em campo, com certeza haverá muita agitação nas arquibancadas e muitas manobras exibicionistas nos jogos da Copa do Mundo Feminina que começa amanhã, em Nova York.
Essa equipe não carrega as mesmas credenciais do time masculino do Brasil, que já ganhou quatro copas do mundo, mas pode ser tão interessante quanto. E sem a pressão que sempre acompanha os jogadores do Brasil, que são favoritos em quase todos os eventos de que participam, essas mulheres podem ir longe no campeonato.
"Nós seremos uma das surpresas da Copa do Mundo", prometeu o técnico Wilson de Oliveira, o Wilsinho, enquanto a equipe se preparava para jogar contra o México no segundo jogo de amanhã, em rodada dupla no Giants Stadium. Os Estados Unidos enfrentam a Dinamarca na abertura, com a perspectiva de levar 75 mil torcedores ao estádio.
"Estamos nos preparando para nosso objetivo de nos qualificar para a Olimpíada e, para isso, precisamos ser uma das oito melhores na Copa do Mundo", afirma Wilsinho. "Mas realmente acreditamos que podemos chegar entre as quatro melhores e aí ver o que acontece."
Enquanto o Brasil tem uma história ilustre no futebol masculino
é relativamente novo no futebol feminino. Na verdade, os homens venceram as três primeiras copas do mundo e conquistaram o quarto título sem precedentes antes de a equipe feminina ter sido formada.
Surgimento - Em 1981, o técnico Eurico Lira dirigiu o clube Radar e deu o chute inicial ao futebol feminino no Brasil. Lira é considerado um herói para as jogadoras brasileiras, assim como Pelé o é para todos os brasileiros. "Ele lutou pelas meninas", diz Elane, da defesa, que jogou pelo Radar por cinco anos.
"Em 1988 ele conseguiu todo o equipamento e uniformes e foi até a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedir apoio para o futebol feminino ir à China disputar as eliminatórias da Copa do Mundo." O próprio Lira pagou as despesas do time e, com as jogadoras do Radar, o Brasil terminou em terceiro lugar no campeonato.
"O Brasil pode ser a equipe do mundo que mais evoluiu", disse o técnico americano Tony DiCicco. Pretinha, a atacante mais perigosa da equipe e uma das melhores jogadoras do mundo, concorda. "Nosso sucesso é muito importante para as mulheres no Brasil conquistarem um emprego e serem pagas como jogadoras profissionais", disse. "Então, nos dedicamos muito para ficarmos muito melhor."

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