As oito brasileiras vítimas da rede internacional de prostituição em Israel prestaram depoimento ontem na Superintendência da Polícia Federal do Rio, na zona portuária da cidade. Elas relataram ao delegado Lorenzo Pompilho da Hora o esquema de aliciamento e confirmaram haver 12 brasileiras em poder de mafiosos, segundo a advogada do grupo, Cristina Leonardo. A imprensa não teve acesso aos depoimentos. As mulheres, todas do Rio e com idades entre 19 e 34 anos, foram resgatadas no dia 23 de outubro pelas autoridades israelenses em uma casa de prostituição controlada pela máfia russa em Tel Aviv. Elas chegaram à Polícia Federal separadas, por volta das 14 horas. Até as 18h30 os depoimentos não haviam acabado.
A advogada Cristina Leonardo disse que as oito contariam ao delegado e cinco agentes da PF o que viveram na capital israelense, onde desembarcaram com a promessa de emprego oferecida por duas aliciadoras - uma brasileira e uma espanhola - identificadas pela polícia de Israel como Rosana e Suzana. Também descreveriam o local onde eram mantidas em cárcere privado, sob ameaças. ‘‘Elas vão contar o que sabem para ajudar a Polícia a prender essa rede internacional de criminosos’’, disse Cristina Leonardo.
O grupo teme represália da máfia, mas garante que o grupo não sofreu ameaças desde que desembarcou no Rio, na sexta-feira. ‘‘As moças não receberam telefonemas nem cartas ameaçadoras.’’ Após a morte da colega Kelly Fernanda Martins, encontrada em coma em uma rua de Tel Aviv no dia 17 de outubro, os mafiosos ameaçaram cortar as pernas das brasileiras e matar seus familiares no Brasil caso tentassem fugir ou chamar a polícia.

mockup