Brasileiras apresentam estilo
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Barry Wilner, da Associated Press 
Nova York, 18 (AE-AP) - Elas são boas, elas são deslumbrantes
elas são populares.
E podem sambar tão bem quanto qualquer um de seus companheiros. Quando a equipe brasileira estiver em campo com certeza haverá muita agitação nas arquibancadas e muitas manobras exibicionistas nos jogos da Copa do Mundo Feminina que começa amanhã (19). Esta equipe não carrega as mesmas credenciais do time masculino do país, que já ganhou quatro copas do mundo, mas pode ser tão interessante quanto.
E sem a pressão que sempre acompanha os jogadores do Brasil, que são favoritos em quase todos os eventos de que participam, estas mulheres podem ir longe no campeonato.
"Nós seremos uma das surpresas da Copa do Mundo", prometeu o técnico Wilson de Oliveira enquanto a equipe se preparava para jogar contra o México no segundo jogo de amanhã, em partida dupla no Giants Stadium. Os Estados Unidos enfrentam a Dinamarca na abertura, com talvez 75 mil torcedores no estádio.
"Estamos nos preparando para nosso objetivo de nos qualificar para as Olimpíadas, conseguindo ser uma das oito equipes na Copa do Mundo. Mas realmente acreditamos que podemos chegar entre as quatro melhores e aí ver o que acontece".
Enquanto o Brasil tem uma história ilustre nos jogos masculinos, é relativamente novo entre as melhores equipes de futebol feminino. Na verdade, os homens venceram as três primeiras copas do mundo e conquistaram o quarto título sem precedentes antes de a equipe feminina ter sido formada.
Em 1981, o técnico Eurico Lira começou o time do clube Radar e, em geral, deu o chute inicial ao futebol feminino no Brasil. Lira é considerado um herói para as jogadoras brasileiras assim como Pelé o é para todos os brasileiros.
"Ele lutou pelas meninas", diz Elane, da defesa, que jogou pelo Radar por cinco anos. "Ele lutou pelos jogos e equipes locais. Em 1988 ele conseguiu todo o equipamento e uniformes e foi até a Confederação do Brasil informá-la sobre o futebol feminino. Ele pediu apoio para ir à China para o pré-campeonato da copa do mundo".
Lira conseguiu a aprovação da Federação, embora não financeiramente. Ele pagou as despesas do time, e com 16 a 18 jogadoras do Radar, o Brasil terminou em terceiro lugar no campeonato.
"Ele morreu há vários anos", disse Wilson. "Mas sua memória permanece, porque ele fundou o futebol feminino no Brasil e a equipe está progredindo em sua memória". O Brasil não foi bem na estréia na Copa do Mundo feminino em 1991, terminando em nono lugar. Nem foi melhor no campeonato de 1995, novamente chegando em nono lugar.
Mas com os clubes surgindo em todo o país, sob a liderança da confederação e apoio financeiro, os jogos femininos começaram a florescer na poderosa sede do futebol da América do Sul. Embora as brasileiras não se tenham classificado para as olimpíadas de Atlanta, elas foram convidadas quando a Inglaterra desistiu. A equipe tirou vantagem, empatando com a campeã Noruega e Alemanha para chegar as semifinais. Elas terminaram em quarto lugar.
"O Brasil pode ser a equipe do mundo que mais evoluiu", disse o técnico americano Tony DiCicco.
Pretinha, a atacante mais perigosa da equipe e uma das melhores jogadoras do mundo, concorda. "Nosso sucesso é muito importante para as mulheres no Brasil conquistarem um emprego e serem pagas como jogadoras profissionais", disse ela. "Então, nos dedicamos muito para ficarmos muito melhor". Enquanto elas melhoravam, tornavam-se também mais populares. Quando Pretinha anda pelas ruas voltando para casa, as pessoas a notam e a chamam pelo nome. Pedem autógrafos. Tiram fotos.
"Depois das olimpíadas, eu não podia mais ir a qualquer lugar, porque juntaria uma multidão", explica ela. "Eu adoro isso. É um reconhecimento de meu trabalho, de nossa equipe e do futebol feminino".


