A cearense Marlene - o nome completo não foi divulgado pela Polícia Federal -, uma das brasileiras que teria sido aliciada pela suposta máfia da prostituição que atua em Israel, chegou ontem ao Brasil. Ela prestou depoimento à PF no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e, em seguida, viajou para Fortaleza.
No depoimento, teria dito que trabalhava como prostituta no Ceará antes de ir para Israel, em 19 de setembro, e que a proposta para receber US$ 2 mil pelo trabalho em Tel-Aviv teria sido feita pela carioca Silvânia Vasconcelos, presa terça-feira, em Fortaleza, acusada de integrar uma rede de aliciamento de brasileiras.
Por ordem do delegado Lorenzo, da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), o conteúdo do depoimento não foi divulgado para não atrapalhar as investigações, de acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Federal. Marlene também teria dito ao delegado que não precisou fugir de Israel para retornar ao Brasil. Teria sido liberada pelo homem apontado como responsável por sua contratação, conhecido por Shuki.
Há, porém, uma informação - dada por uma das oito brasileiras resgatadas pela polícia israelense em boates do país, na sexta-feira passada - que contrasta com essa versão. Segundo essa mulher, que teria sido obrigada a se prostituir após promessa de trabalho em casa de família ou lanchonetes de Tel-Aviv, Marlene faria parte de um grupo de nove brasileiras desaparecidas. Segundo o relato, Marlene teria apanhado muito e, por isso, estaria sumida.
As oito brasileiras que ainda estão em Israel deverão chegar ao Brasil nos próximos dias, após prestar depoimento à polícia local. A assessoria de comunicação do Itamaraty informou que está ‘‘fazendo o possível para acelerar o processo’’. Uma dessas mulheres disse ontem à reportagem, por telefone, ter certeza de que Kelly Fernanda Martins, 26 anos, foi assassinada. Ela morreu misteriosamente, no último dia 17, após denunciar à mãe, pelo telefone, que fora ameaçada por mafiosos que manteriam um esquema de prostituição em Tel Aviv.

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