Brasileira presa em Israel será libertada
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sábado, 08 de fevereiro de 1997
Das agências, de Brasília e Jerusalém 
O Ministério das Relações Exteriores divulgou ontem nota na qual confirma a libertação da brasileira Lamia Maruf Hassan, 32, que cumpre pena de prisão perpétua desde 1986 por participar do sequestro e assassinato de um soldado israelense em 1984. A libertação ainda não tem data definida.
De acordo com a nota, o Itamaraty recebeu ontem comunicado da Embaixada de Israel informando sobre a decisão do primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, de libertar as presas palestinas. A brasileira também tem nacionalidade palestina.
Lamia é a única presa política entre os cerca de 900 brasileiros detidos no exterior. A libertação das prisioneiras é um dos fundamentos dos acordos de Oslo, que delinearam o processo de paz entre palestinos e israelenses a partir de 1994.
A libertação das 28 mulheres tornou-se possível depois que o presidente israelense, Ezer Weizman, decidiu conceder também indulto a duas prisioneiras (Lamia é uma delas) que participaram de crimes de sangue. Anteriormente, o chefe de Estado havia excluído as duas ao indultar o grupo de mulheres, mas elas se recusaram a deixar a prisão em solidariedade com Lamia e a companheira não beneficiada com o indulto.
O primeiro-ministro informou ao gabinete que uma ordem foi dada para libertar as prisioneiras palestinas, disse um porta-voz do governo. Amanhã, Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, vão reunir-se e um dos pontos da agenda é a libertação de cerca de cinco mil prisioneiros palestinos.
Ontem, jornais israelenses disseram que o governo vai pedir ao presidente Weizman que estude o perdão para israelenses presos sob acusação de matar palestinos. É o caso de Ami Popper, condenado à prisão perpétua por ter assassinado sete trabalhadores palestinos, em 1990. Mas no comunicado do gabinete não há nenhuma menção a essa possibilidade. Os analistas em Israel acreditam que as famílias dos israelenses presos não tardarão em pedir ao governo reciprocidade para eles.
A libertação das 28 prisioneiras foi decidida, mas a data em que isso ocorrerá não foi determinada no comunicado do gabinete. O secretário do Comitê Executivo da OLP, Mahmud Abas, mostrou-se otimista, dizendo que a libertação será efetivada hoje ou amanhã, coincidindo com a comemoração do final do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos.
Mas outras fontes palestinas se mostravam pessimistas, devido à paralisação política em Israel por causa da tragédia da morte de 73 militares no choque de dois helicópteros.
Segundo uma fonte do governo israelense na área de segurança, a libertação das prisioneiras não ocorerá antes de segunda-feira, uma vez que podem ser apresentados recursos contra a decisão.
Segundo a rádio israelense, as prisioneiras só serão libertadas na próxima semana, depois que o presidente anunciar oficialmente o indulto para Lamia e à companheira, o que deverá atrasar o processo. Antes de recuperar a liberdade, as prisioneiras terão de firmar sob juramento uma declaração de que nunca voltarão a participar de atos de violência contra Israel.
Sequestro e morte Lamia Maruf Hassan tinha 19 anos em 1984 quando tomou parte numa ação que a levaria ao cárcere em Israel e à condenação à prisão perpétua. Ela estava no volante de uma Kombi na Cisjordânia, junto com o marido, Taufic Imarahim Abdalla, integrante da Organização de Libertação da Palestina, e um companheiro dele. Os três deram carona ao sargento israelense David Manos, de 20 anos, e no caminho sequestraram o militar, que foi levado para uma caverna e enforcado. Tempos depois, Lamia foi presa, juntamente com o marido e o outro integrante da OLP. Ela negou que tivesse participado do assassinato do sargento, alegando que não sabia que o plano era para matar o militar, mas a Justiça israelense a condenou à prisão perpétua, em 1987.


