A brasileira Patrícia Ramos Gallego, assassinada na semana passada em San Diego (Califórnia,EUA) tinha proposto um casamento de conveniência, só no papel, ao principal suspeito pelo crime. O relato é do triatleta paulista Márcio Zuliani, que mora em San Diego e encontrou Patrícia no fim da tarde de sexta-feira, poucas horas antes de ela ser morta.
O acusado já está preso: é Calvin Lamont Parker, 31 anos, com quem Patrícia dividia apartamento.
De acordo como Zuliani, a amiga comentou que estava de casa nova,
morando com um rastafári (seguidor de uma religião jamaicana) e outra menina (essa terceira pessoa não foi mencionada até agora nas investigações).
Contou também, ainda segundo Zuliani, que tinha proposto um casamento de conveniência a Parker, para conseguir legalizar sua situação nos EUA.
Em consequência da oferta de casamento, Calvin Parker estaria se insinuando sexualmente. Zuliani diz que chegou a brincar com Patrícia: ‘‘Por um ‘‘green card’’, até que vale’’. Ela teria respondido que ‘‘de jeito nenhum’’ aceitaria. ‘‘Green Card’’ (‘‘cartão verde’’) é como se chama o documento dos estrangeiros que moram legalmente nos EUA).
O triatleta diz que, nos cerca de oito meses que trabalhou com Patrícia, ela demonstrou temperamento ‘‘normal’’, nem muito expansiva, nem tímida demais. Mas, na última vez em que a viu, achou que a amiga estava com olhar perdido, desanimada, respondendo só o que lhe era perguntado.
Patrícia tinha 29 anos e morava havia quatro nos EUA, onde entrou como estudante. Seu corpo, mutilado e com sinais de tortura e extrema violência sexual, foi descoberto segunda-feira passada numa lata de lixo em uma construção em Carlsbad, subúrbio ao norte de San Diego. Os dedos tinham sido achados pouco antes, também no lixo, em outra cidade.
No dia seguinte à morte, Parker chegou a alugar uma camionete para, segundo os investigadores, se desfazer do cadáver.

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