Renan Antunes de Oliveira
Agência Estado
O pintor de paredes Valdeci Costa está investigando por conta própria para descobrir o nome do cirurgião supostamente responsável pela morte de sua mulher, a faxineira Gislaine Molinari da Costa. Ela teve o intestino perfurado durante uma pequena cirurgia realizada no Hospital Saint James, no mês passado – o erro só foi percebido quatro dias depois da alta.
Costa, de 34 anos, afirma que o hospital está tentando encobrir o incidente para proteger-se de uma ação judicial. ‘‘Minha mulher foi para um procedimento comum. No final, oito médicos participaram do tratamento, mas o hospital se recusa a informar quem são, nem fornece o laudo da morte’’, disse.
O diagnóstico da perfuração foi dado pelo médico particular da família Costa e não foi contestado pelo hospital. Ontem, a direção do Saint James recusou-se a dar informações sobre o caso, alegando que está sob investigação no Instituto Médico-Legal da cidade – o resultado da sindicância ainda não é conhecido.
Gislaine, de 37 anos, natural de Ponta Grossa e mãe de dois filhos pequenos, sofreu um aborto natural na madrugada de 7 de setembro. No mesmo dia, às 9 horas, fez uma curetagem no ambulatório do Saint James – quando ocorreu a perfuração acidental do intestino. Ela recebeu alta no final da tarde.
Na manhã do dia 9, Gislaine apresentou febre. Por telefone, um médico receitou antibióticos – pelo sistema americano, um telefonema do profissional à farmácia autoriza o paciente a retirar medicamentos controlados.
No sábado 11, ainda com febre e então com muita dor, Gislaine foi internada na emergência do Saint James. No domingo, os médicos constataram o rompimento. Ela passou por nova cirurgia para reparar a ferida, mas a infecção decorrente da perfuração estava adiantada.
‘‘Minha esposa ainda agonizou por 15 dias’’, conta Costa. ‘‘No início, como aqui é Primeiro Mundo, nós estávamos confiantes. Mas aos poucos fui percebendo que um médico procurava encobrir o outro, dando versões diferentes para o problema da perfuração’’. Gislaine morreu dia 22.
Costa vive nos Estados Unidos desde 1989, com cidadania americana. A mulher tinha uma empresa de faxina, atendendo restaurantes e residências. Os filhos Waylon e Jeffrey, de 5 e 7 anos, continuam com o pai. O corpo de Gislaine foi trasladado para o Brasil e sepultado em Ponta Grossa, na semana passada.

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