São Paulo, 28 (AE) - Uma mulher de 41 anos, moradora de Manaus, é a primeira paciente da América Latina a ter seus óvulos "revitalizados" para fazer uma fertilização assistida. A técnica busca garantir que mulheres com óvulos considerados de baixa qualidade tenham uma gravidez bem-sucedida. Ela consiste em transplantar o núcleo do óvulo da paciente, onde estão armazenadas as informações genéticas, em um óvulo sadio de uma doadora, previamente tratado.
"Retiramos do óvulo doado o seu núcleo e deixamos apenas a membrana e o citoplasma, responsável pela vitalidade das células", explica um dos criadores do método, o cientista da Universidade de Granada Jan Tesarik. "É como se fizéssemos uma operação plástica no óvulo de baixa qualidade, dando-lhe novamente energia". O médico está realizando seu trabalho na Clínica de Reprodução Assistida Roger Abdelmassih, em São Paulo. Nesta semana, seis pacientes devem submeter-se ao transplante de núcleo.
O transplante do núcleo de óvulos é indicado para mulheres que, em razão de idade avançada ou por motivos ainda desconhecidos, tenham óvulos de baixa qualidade. "Desta forma, as chances de se formar um embrião são menores", afirma o pesquisador. "E, mesmo quando conseguimos fazer a fertilização, muitas vezes a gravidez não vai adiante". Testes - Segundo Tesarik, o óvulo de baixa qualidade é um dos desafios da reprodução assistida. "Os problemas com espermatozóides fracos já foram solucionados, com uma técnica que permite colocá-los no óvulo", explica. O processo, batizado de ICSI, foi desenvolvido no início da década. Um de seus criadores é Peter Nagy, que também atua no projeto de transferência de núcleo de óvulos.
O transplante de núcleos, segundo Tesarik, já foi testado nos Estados Unidos por outra equipe de pesquisadores, mas não teve sucesso. "Fizemos algumas modificações e, em laboratório, obtivemos ótimos resultados", comemora. O núcleo do óvulo da paciente é colocado próximo da membrana do óvulo da doadora, que teve seu núcleo previamente retirado. Por meio de ação mecânica, o núcleo da paciente acaba entrando no óvulo doado. O processo ocorre rapidamente.
"Cientistas norte-americanos não conseguiram fazer a fertilização, pois a maturação do óvulo transplantado ocorria muito rapidamente", conta. O trabalho realizado em São Paulo vai evitar o problema modificando a forma do implante do núcleo. "Estamos muito esperançosos", afirma Roger Abdelmassih. Ele acredita que, dentro de uma semana, será possível saber se o transplante de hoje foi bem-sucedido.
R.C.M., a paciente que realizou o transplante de núcleos de óvulos, tentava engravidar havia sete anos. No ano passado, submeteu-se a uma fertilização assistida, mas sem sucesso.

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