Brasil volta a lançar títulos no mercado internacional após 1 ano
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 19 (AE) - Depois de um ano da última emissão, o Brasil voltou hoje ao mercado internacional ofertando um título soberano da República com prazo de cinco anos para captar no mínimo US$ 1 bilhão. O novo bônus global oferece duas alternativas para aquisição: em dinheiro ou por meio de troca de dívida velha por nova. O governo brasileiro estará recebendo as propostas para a compra do papel em dinheiro até a quinta-feira. Até a sexta, poderão fazer ofertas os investidores que optarem pela troca. Por ser global, o novo título pode ser adquirido por investidores de todo o mundo.
De acordo com nota divulgada, simultaneamente, em Nova York e Brasília, dois tipos de papéis da dívida velha poderão ser usados na troca. Os chamados bônus de juros atrasados (Interest Due Unpaid - IDU), que vencem em 2001, e os bônus de juros elegíveis (Elegible Interest - EI) com prazo para pagamento em 2006. Os IDU foram renegociados no governo Collor pelo embaixador Jório Dauster. Já os EI integram o elenco dos papéis da dívida externa brasileira que foi reestruturada. A negociação destes títulos foi feita pelo atual ministro da Fazenda, Pedro Malan. Os dois títulos são do grupo dos Brady Bonds.
Somente no fechamento das propostas o governo brasileiro saberá o volume de venda do novo bônus e o preço que pagará nas duas alternativas da operação. No caso da troca, segundo a nota, os investidores receberão em espécie os juros já vencidos e não pagos dos títulos antigos que forem usados na operação. Às 15 horas de sexta-feira, o Brasil deverá anunciar o fechamento das ofertas do novo bônus. O novo lançamento soberano do País está sendo liderado pelos bancos Morgan Stanley Dean Witter e Salomon Brothers.
A última emissão do governo brasileiro havia sido feita em abril do ano passado. Naquele mês, o País batia o recorde de reservas internacionais acumulando o total de US$ 74 bilhões. Na operação, foram captados US$ 417 milhões em euromarcos com papéis de dez anos. Na época, os títulos brasileiros ofereceram juros correspondentes a 3,28% acima do rendimento dos papéis do Tesouro americano com o mesmo prazo.
Road show - Na quarta-feira, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o diretor de Assuntos Internacionais, Daniel Gleizer, iniciarão um road show com investidores dos Estados Unidos e Inglaterra. Enquanto Armínio expõe as condições do novo papel para os investidores norte-americanos, Gleizer terá encontros com os ingleses.


