Voluntários brasileiros começarão a testar uma vacina francesa contra a Aids no ano que vem. A pesquisa faz parte de um acordo de cooperação assinado ontem entre o Brasil e a França que incluirá o investimento de US$ 1,4 milhão em estudos sobre a doença no Brasil.
O governo brasileiro contribuirá com US$ 400 mil e o francês com o restante. No acordo está previsto não apenas o teste da vacina, mas pesquisas nas áreas de medicamentos e comportamento de grupos de risco no contágio da Aids.
‘‘Esse acordo será muito bom para o Brasil. Já detivemos o avanço da Aids, mas precisamos fazê-la retroceder, o que ainda não aconteceu em nenhum país do mundo’’, afirmou o ministro da Saúde, José Serra. Participando do teste da vacina, o Brasil terá acesso mais rápido ao produto assim que for comprovada a sua eficácia. O país também terá direito a conhecer a tecnologia para produzir a vacina.
Atualmente, os Estados Unidos pesquisam uma vacina que deverá ser a primeira a entrar no mercado, talvez daqui a cinco anos. ‘‘Mas, pelos testes feitos até agora, ela tem uma eficiência bastante limitada, em torno de 40%’’, explicou Paulo Roberto Teixeira, coordenador de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids do ministério. Os pesquisadores franceses acreditam que a sua vacina terá maior eficácia.
A ANRS, agência francesa para estudos da Aids, também fará juntamente com o Brasil estudos sobre medicamentos contra a Aids. A intenção é verificar novas combinações de remédios que possam aumentar a eficácia do tratamento, diminuir os efeitos colaterais e baratear os custos. A agência francesa também ajudará a ‘‘alimentar’’ um banco de preços mundiais de medicamentos. ‘‘Servirá de subsídio para que os países interessados possam negociar melhores preços com laboratórios’’, disse Serra. O último aspecto do acordo é a produção de estudos de comportamento de grupos de risco, que serão usados para dar suporte às campanhas de prevenção. Os dois primeiros grupos a serem pesquisados são homossexuais masculinos e a população prisional, uma das mais afetadas pela Aids.

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