O Brasil será sede, em novembro de 2002, do 6º Congresso Mundial da Associação Internacional de Bioética (International Association of Bioethics). A informação foi fornecida ontem pelo pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Nacional de Ética do Ministério da Saúde (Conep) Volnei Garrafa, em painel sobre bioética na 52ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Brasília.
Garrafa, que vai presidir o congresso, revelou que o encontro deverá discutir temas importantes, como a necessidade de prestar todos os esclarecimentos às pessoas que participam de testes biológicos sobre as possíveis modificações físicas que poderiam sofrer.
A Associação Médica Brasileira, segundo Garrafa, tentará mais uma vez, na próxima reunião internacional que ocorre em outubro na Inglaterra, impedir modificações na Declaração de Helsinque, que define regras para acesso ao conhecimento científico na área de sa© úde, além de procedimentos éticos, para testes em seres humanos.
Associação Médica dos Estados Unidos propôs, no ano passado, no Japão, medidas que facilitariam a pesquisa com pessoas, mas poderiam pôr em risco aqueles que não têm conhecimento integral da experiência a que se submetem. O texto original obriga que todos os participantes de um experimento sejam informados sobre a evolução de seu estado de sa© úde em diferentes fases do projeto. Os americanos não se recusam a oferecer essas informações, mas enfatizam que elas seriam repassadas apenas àqueles que as solicitassem.
Garrafa propõe uma bioética que daria prioridade a políticas e tomadas de decisão privilegiando o maior número possível de pessoas, mesmo que essas medidas sofram a oposição de indivíduos ou grupos. É o caso, por exemplo, das transfusões de sangue, que salvam, diariamente, milhões de pessoas, embora não sejam aceitas por correntes religiosas como as Testemunhas de Jeová.

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