Rio, 07 (AE) - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, anunciou hoje que o governo vai realizar uma emissão de títulos em eurobônus. Segundo ele, o lançamento servirá mais para criar condições para que empresas brasileiras também façam suas emissões nesse mercado.
Fraga, que deu palestra em almoço na sede do Instituto Brasil-Europa, no centro do Rio, não adiantou qual será o valor do lançamento nem sua data. Ele disse que o governo nem precisaria dessa nova captação, depois de ter conseguido emitir US$ 2 bilhões em títulos e rolar dívidas de US$ 1 bilhão em 1999.
O presidente do BC afirmou ainda que o superávit da balança comercial este ano deve ficar entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões. Ele chamou a atenção para o desempenho da balança de serviços, que foi melhor do que se esperava após a crise cambial. A queda rápida do dólar e, em consequência, dos preços de produtos brasileiros para exportação, disse ele, impediram o Brasil de atingir a meta inicial de superávit comercial de US$ 11 bilhões.
O presidente do BC afirmou ainda que o investimento estrangeiro direto do Brasil este ano vai ser de US$ 20 bilhões e será suficiente para financiar o déficit em conta corrente previsto. Fraga também afirmou que o governo já tem todas as condições de atingir a meta de superávit nominal (sem correção monetária) de suas contas de 3,1% do Produto Interno Bruto, tanto em 1999 como nos próximos dois anos. A meta foi acertada com o Fundo Monetário Internacional.
Fraga disse também que, ao modificar o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), o governo abriu mão de cerca de R$ 2 bilhões nos próximos dois anos, mas explicou que a decisão de assumir as perdas foi consciente e será compensada com outras medidas.
FEF - O secretário-executivo da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, confirmou que, com as alterações no FEF, haverá um aumento de repasse de recursos para Estados e municípios. Ele afirmou, no entanto, que esse aumento não contraria a política do governo de redução de gastos porque trata-se de uma transferência intragoverno.
"O que é relevante é o resultado global do setor público, que inclui o governo federal, os Estados e os municípios", disse. "Vamos continuar comprometidos com um superávit primário de 2,65% do PIB para o ano 2000."

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