Brasil vai produzir vacina tríplice viral
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quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Clarissa Thomé<br> Agência Estado 
Rio - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai produzir a vacina tríplice viral, que imuniza contra sarampo, rubéola e caxumba. Das 12 vacinas do calendário do Ministério da Saúde essa é a única que o Brasil ainda importa. O acordo para transferência da tecnologia foi assinado ontem entre o governo federal e o laboratório GlaxoSmithKline (GSK).
O Brasil comprará insumos do laboratório para a produção da vacina nos próximos cinco anos. Depois pagará royalties no valor de 4% de cada dose produzida por mais uma década. Ainda assim, a estimativa é de que a fabricação nacional representará economia de pelo menos US$ 15 milhões em cinco anos. Em 2002, o Brasil importou 20 milhões de doses do imunizante, por US$ 80 milhões.
O último grande surto de sarampo no Brasil ocorreu em 1998, quando 52 mil pessoas tiveram a doença e 60 morreram. Há dois anos não há registros de sarampo no País apenas duas pessoas, vindas do Japão, tiveram a doença. Rubéola e caxumba são consideradas doenças controladas.
''Mesmo sem economia, o acordo valeria a pena para o Brasil por segurança. Países como o México, que tem 100 mil casos de sarampo por ano, tiveram de adiar a campanha de vacinação porque não há vacina no mercado'', disse o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. Iniciativas como a da Fundação Bill e Melinda Gates, que doou vacina contra sarampo para países africanos, desestabilizaram o mercado internacional. O preço da dose subiu e falta o imunizante, informou o secretário. ''É preciso aplaudir iniciativas como essa, mas os laboratórios não estavam preparados. Agora que o Brasil vai produzir a tríplice viral vamos ficar imunes a essa instabilidade'', disse Barbosa.
De acordo com Barbosa, a nova vacina terá a vantagem de provocar menos reações nas crianças. Ela é feita com um vírus mais atenuado do que o utilizado na vacina atual. O contrato com o GSK prevê que em cinco anos o Brasil será capaz de fabricar os insumos. Vinte técnicos da Fiocruz irão até a sede da empresa, na Bélgica, para aprender o processo de fabricação. Na próxima semana, peritos do laboratório chegam ao Rio para acompanhar os trabalhos de construção do Centro de Produção de Antígenos Virais, onde a vacina será feita.
Paulo Buss, o presidente da Fiocruz, também disse haver estudos para a produção da Penta Brasil, que vai reunir as vacinas tríplice bacteriana (coqueluche, tétano e difteria), HiB (contra a bactéria que causa pneumonia e um tipo de meningite) e a contra hepatite B. O novo imunizante representará economia em embalagens, seringas, agulhas, e garantirá que a criança receba todas as vacinas de uma vez, evitando que a mãe deixe de imunizá-la contra uma ou outra doença.


