Brasil vai gastar US$ 10,476 bilhões das reservas para pagar recursos do FMI, do BIS e do BOJ
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Soraya de Alencar e Leandra Peres 
Brasília, 05 (AE) - O Brasil vai gastar US$ 10,477 bilhões das reservas internacionais para quitar empréstimos de curto prazo do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco para Compensações Internacionais (BIS) e do Banco do Japão (BOJ).
Os recursos são referentes ao pacote de ajuda de US$ 41,5 bilhões que as instituições emprestaram ao Brasil no final de 1998. Com a decisão de hoje, o Brasil ficará devendo somente US$ 1,827 bilhões da linha de longo prazo do FMI.
Segundo explicou o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, o dinheiro foi emprestado numa emergência para o Brasil enfrentar um momento de crise e agora não é mais necessário.
Além do pagamento dos empréstimos, o governo também anunciou, ontem, que na 5ª revisão do acordo com o Fundo, encerrada no final de março, conseguiu reduzir para 25 bilhões o piso das reservas internacionais líquidas a partir de julho. Isso quer dizer que no final do ano Banco Central terá aumentado seu poder de intervenção no mercado de câmbio num valor de aproximadamente 4,8 bilhões.
O diretor do BC lembrou, entretanto, que nas últimas vezes em que entrou no mercado o banco não vendeu reservas, aumentou-as comprando dólares para evitar quedas bruscas no câmbio.
No pagamento aos organismos internacionais, que está sendo feito antecipadamente, pois há parcelas que vencem somente em outubro, foram enviados ontem US$ 4,386 bilhões ao FMI. No próximo dia 12, serão pagos outros US$ 2,449 bilhões ao Fundo e US$ 3,642 bilhões ao BIS e ao BOJ, sendo US$ 3,446 bilhões de principal e US$ 196 milhões em juros.
Gleizer assegurou que, embora o governo tenha optado por permanecer com a alternativa de lançar mão dos recursos de longo prazo do FMI, também conhecida como stand by, a idéia é não sacá-la. "Poderíamos sacar mais US$ 1,096 bilhão e não vamos fazê-lo", destacou o diretor do BC. Mesmo assim, o Brasil continua com um crédito de US$ 3,4 bilhões disponível nesta linha que poderá usar quando quiser.
Embora abril seja um mês pressionado pelos pagamentos ao exterior, Gleizer disse que o governo não tem preocupação em fazer quitar os empréstimos porque o desempenho da economia está bom, os resultados das contas internas e externas do País estão sólidos.
Com isso, assegurou, o Brasil tem tido facilidade de obter outros tipos de recursos no exterior, como aqueles captados com o lançamento de papéis da República. Até agora, segundo ele, já foram captados US$ 3,4 bilhões enquanto as necessidades de pagamento deste ano correspondem a US$ 3,9 bilhões. "É a tranquilidade que prevalece", garantiu o diretor.
Ele lembrou que mais capital externo entra na próxima semana superando a necessidade para o ano inteiro. São recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no total de US$ 660 milhões, mais US$ 583 milhões do Samurai - bonus lançado no mercado japonês na semana passada - e, ainda, US$ 126 milhões de garantias referentes à emissão dos bonus "bradies", em 1994.
Com a troca de "bradies" por bonus globais, no início de março, o dinheiro vai ser liberado pelo BIS onde está depositado. Sobre o impacto dos pagamentos nas reservas internacionais, Gleizer lembrou que o câmbio flutuante faz com que o País não tenha necessidade de reservas muito altas.
Na revisão do acordo com o FMI as metas trimestrais de inflação não foram alteradas. Mas o BC negociou uma fórmula que lhe permite ultrapassar as metas sem, no entanto, ter que renegociar com o FMI. Para isso, terá uma folga de um ponto porcentual além da meta fixada.
Esse mecanismo deverá ser usado pelo governo no terceiro trimestre do ano, quando a inflação deverá superar os 6,5% previstos no acordo porque essa taxa será negativamente afetada pela inflação registrada em outubro do ano passado que foi de 1%.
Se a taxa ficar dois pontos porcentuais acima do previsto, o Brasil será obrigado a renegociar com a diretoria do Fundo, mas se ficar no limite de um ponto, bastará uma consulta aos técnicos.
Também na revisão, a meta de fechar o terceiro trimestre do ano com um superávit primário (não inclui a conta de juros) correspondente a R$ 29 bilhões nas contas do setor público consolidado foi transformada numa exigência do FMI.
Em relação ao resultado da balança comercial, os técnicos do Fundo aceitaram a substituição da estimativa de superávit de US$ 5 bilhões para US$ 4 bilhões este ano.


