O País está próximo de ter o seu primeiro beato, genuinamente brasileiro, nomeado pelo papa João Paulo II. Trata-se do frei Antônio Sant’Anna Galvão, nascido em 1739 na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo. Com o título de beato, Galvão ficará a um passo de virar santo. A canonização depende ainda de o Vaticano aceitar o ‘‘afirmado milagre’’, apresentado no processo do frei e, até agora, mantido em sigilo. A fama de santidade do frei começou ainda no século XIX por causa dos ‘‘milagres’’ atribuídos a ele em partos difíceis e nos casos de doenças renais.
Uma vez, em uma viagem que fazia a pé entre São Paulo e Rio de Janeiro, o frei encontrou um jovem desesperado de dor nos rins. Galvão pegou um pedaço de papel e escreveu uma oração. Depois o enrolou como se fosse uma pílula e deu com um copo de água para o rapaz tomar. Imediatamente, segundo os relatos anexados ao processo, o jovem conseguiu expelir as pedras que tinha nos rins.
Em outra ocasião, um homem vinha a cavalo com a mulher prestes a dar à luz. O frei fabricou de novo a ‘‘pílula’’ milagrosa que havia curado o rapaz doente dos rins e deu à mulher, que acabou tendo um parto feliz. Até hoje, pessoas devotas vão ao Mosteiro da Luz, em São Paulo, onde viveu o candidato a santo, em busca das ‘‘pílulas frei Galvão’’, famosas por serem milagrosas.
Os casos da mulher e do rapaz são narrados como exemplos das 23.929 ‘‘graças’’ do frei que foram relatadas ao Vaticano. A responsável pelo levantamento da história do frei Galvão é a irmã Célia Cadorin, que pesquisou os registros da Igreja e colheu depoimentos de parentes de pessoas que conviveram com ele. ‘‘O frei Galvão fez e continua fazendo curas’’, garantiu a irmã. Ela contou que a luta para transformar o frei em santo começou em 1934, mas se restringiu aos seus devotos. Houve outras várias tentativas. No entanto, somente em 1990 iniciou-se de fato o processo que chegou ao Vaticano. Galvão morreu em 1822.
De acordo com informações do Vaticano enviadas ao segundo vice-presidente da Câmara, deputado católico Severino Cavalcanti (PPB/PE), em abril João Paulo II promulgou o decreto das ‘‘virtudes heróicas’’, que deu ao frei Galvão o título de ‘‘venerável’’. O processo sobre o ‘‘afirmado milagre’’ já foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Consultores Teólogos do Vaticano, depois de ter passado pelo crivo de peritos médicos e pela consulta médica. O processo, agora, será submetido à Congregação Ordinária de Cardeais e Bispos. O próximo passo será o ‘‘decreto do milagre’’, a ser promulgado pelo papa. O deputado acredita que em outubro, durante sua visita ao Brasil, o papa anunciará a beatificação do frei Galvão.

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