O Brasil não pretende nem candidatar-se aos recursos nem contribuir financeiramente com um fundo internacional de combate à Aids, mas doar o seu know-how, segundo afirmou ontem o ministro da Saúde, José Serra. Ele participa, em Nova York, da conferência especial da ONU sobre a doença. ‘‘Pretendemos contribuir fornecendo, por exemplo, assistência técnica para prevenção e organização da distribuição de medicamentos’’, disse. A colaboração brasileira será anunciada por Serra hoje, em discurso na Assembléia Geral da ONU.
O Brasil deve continuar atuando para que o acesso a medicamentos essenciais seja permitido a todas as pessoas infectadas pelo HIV. ‘‘Países pobres como os da África devem ser objeto de solidariedade internacional nessa área, com a criação do fundo para dar cobertura à aquisição de medicamentos’’, destacou o ministro.
Hoje, a maioria dos países africanos – onde vivem 70% dos cerca de 36 milhões de infectados pelo vírus da Aids no mundo – não têm condições nem para distribuir medicamentos gratuitos. É nesse trabalho básico que o Brasil poderá ajudá-los. O governo brasileiro atende hoje cem mil soropositivos, fornecendo-lhes de graça o coquetel de drogas antiaids. Isso é possível, segundo o ministro, graças a convênios com 600 ONGs.
Em entrevista coletiva à imprensa internacional, Serra respondeu a várias perguntas sobre as consequências do acordo firmado ontem com os EUA para o licenciamento compulsório de patentes de medicamentos. Ele repetiu que não é intenção do Brasil produzir drogas antiaids para exportação.
‘‘Nem pregamos a idéia de que os medicamentos devam ser de graça em toda a parte’’, disse. ‘‘O que defendemos é que possa haver preços diferenciados entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, que haja critérios flexíveis para produção de genéricos antiaids e se crie um fundo para compra de remédios para países mais pobres.’’

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