O Brasil vai defender um desenvolvimento sustentado e limpo da Amazônia e vai combater o falso mito ‘‘Amazônia, pulmão do planeta’’ durante a Conferência de Haia sobre o aquecimento do clima do planeta.
Com uma superfície de 5,2 milhões de km2 equivalente a 61% do território brasileiro, a Amazônia abriga 30% da biodiversidade do planeta, cerca de um terço das selvas tropicais do mundo e é a maior reserva de água doce da Terra.
‘‘É importante encontrar os meios corretos para desenvolver o território amazônico’’, disse à AFP Luiz Gylvan, um dos dirigentes brasileiros que participarão de 13 a 24 de novembro na Conferência de Haia, na Holanda, da qual depende a implantação da luta contra o aquecimento climático decidida em Kyoto, em 1997.
‘‘Somos atualmente 168 milhões de brasileiros e devemos nos estabilizar em 200 milhões. Se levamos em conta o tamanho da Amazônia e sua pouca densidade demográfica (3,2 habitantes por km2), não teremos necessidade de utilizar a Amazônia para comer. Por isso, podemos fazer melhor as coisas’’, frisou Gylvan.
Calcula-se que o Brasil emite 75 toneladas de carbono por ano devido ao uso de combustíveis fósseis (carvão, gás natural, petróleo) e mais do dobro devido ao desmatamento.
‘‘Se formos apoiados financeiramente no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, contemplado em Kyoto), poderíamos contribuir para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases controlando melhor o desmatamento, por exemplo’’, estimou Gylvan, responsável pela Agência Nacional Espacial.
No entanto, estas compensações financeiras representam um ‘‘perigo’’. De acordo com Gylvan, as nações desenvolvidas podem se ver tentadas a ‘‘tranquilizar sua consciência’’ investindo na proteção das selvas dos países pobres, ‘‘sem reduzir suas próprias emissões de gases de efeito estufa’’.
‘‘O Brasil emite uma décima parte do CO2 produzido pelos Estados Unidos, país responsável por 25% mundial deste tipo de poluição’’, assinalou.
O protocolo de Kyoto impõe a 38 países desenvolvidos uma redução média de 5,2% de suas emissões de dióxido de carbono e outros gases que provocam o efeito estufa antes de 2010, em relação às cifras de 1990.
‘‘A importância da selva amazônica está no fato de que cobre um território imenso mas sua função é menos importante do que a de outras selvas de regiões de climas frios como as da Europa Ocidental ou América do Norte’’, disse por sua vez à AFP, Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Estudos Espaciais (Inpe).
As árvores da selva amazônica absorvem 55 bilhões de toneladas de carbono enquanto a atmosfera do planeta contém 760 bilhões.
‘‘Se todo o carbono da selva amazônica se expandir pela atmosfera provocaria um aumento de 8% na concentração de CO2, fenômeno menos importante do que as emissões de gases com efeito estufa’’, comparou.
Brasil ‘‘deve’’ contribuir para o esforço mundial mas, como outros países em vias de desenvolvimento, deverá aumentar o consumo de energia per capita e suas emissões de gases devido à utilização de combustíveis fósseis. Contudo, se o país conseguir reduzir seu desmatamento pode inclusive aumentar a margem de emprego desses combustíveis, concluiu Nobre.
Para o Brasil, a cooperação técnica e financeira entre os países desenvolvidos e aqueles em vias de desenvolvimento não pode se limitar a transferir a estes últimos toda a responsabilidade para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa no planeta.

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