Brasil vai defender em Haia crescimento limpo da Amazônia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de novembro de 2000
France Presse Do Rio 
O Brasil vai defender um desenvolvimento sustentado e limpo da Amazônia e vai combater o falso mito Amazônia, pulmão do planeta durante a Conferência de Haia sobre o aquecimento do clima do planeta.
Com uma superfície de 5,2 milhões de km2 equivalente a 61% do território brasileiro, a Amazônia abriga 30% da biodiversidade do planeta, cerca de um terço das selvas tropicais do mundo e é a maior reserva de água doce da Terra.
É importante encontrar os meios corretos para desenvolver o território amazônico, disse à AFP Luiz Gylvan, um dos dirigentes brasileiros que participarão de 13 a 24 de novembro na Conferência de Haia, na Holanda, da qual depende a implantação da luta contra o aquecimento climático decidida em Kyoto, em 1997.
Somos atualmente 168 milhões de brasileiros e devemos nos estabilizar em 200 milhões. Se levamos em conta o tamanho da Amazônia e sua pouca densidade demográfica (3,2 habitantes por km2), não teremos necessidade de utilizar a Amazônia para comer. Por isso, podemos fazer melhor as coisas, frisou Gylvan.
Calcula-se que o Brasil emite 75 toneladas de carbono por ano devido ao uso de combustíveis fósseis (carvão, gás natural, petróleo) e mais do dobro devido ao desmatamento.
Se formos apoiados financeiramente no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, contemplado em Kyoto), poderíamos contribuir para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases controlando melhor o desmatamento, por exemplo, estimou Gylvan, responsável pela Agência Nacional Espacial.
No entanto, estas compensações financeiras representam um perigo. De acordo com Gylvan, as nações desenvolvidas podem se ver tentadas a tranquilizar sua consciência investindo na proteção das selvas dos países pobres, sem reduzir suas próprias emissões de gases de efeito estufa.
O Brasil emite uma décima parte do CO2 produzido pelos Estados Unidos, país responsável por 25% mundial deste tipo de poluição, assinalou.
O protocolo de Kyoto impõe a 38 países desenvolvidos uma redução média de 5,2% de suas emissões de dióxido de carbono e outros gases que provocam o efeito estufa antes de 2010, em relação às cifras de 1990.
A importância da selva amazônica está no fato de que cobre um território imenso mas sua função é menos importante do que a de outras selvas de regiões de climas frios como as da Europa Ocidental ou América do Norte, disse por sua vez à AFP, Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Estudos Espaciais (Inpe).
As árvores da selva amazônica absorvem 55 bilhões de toneladas de carbono enquanto a atmosfera do planeta contém 760 bilhões.
Se todo o carbono da selva amazônica se expandir pela atmosfera provocaria um aumento de 8% na concentração de CO2, fenômeno menos importante do que as emissões de gases com efeito estufa, comparou.
Brasil deve contribuir para o esforço mundial mas, como outros países em vias de desenvolvimento, deverá aumentar o consumo de energia per capita e suas emissões de gases devido à utilização de combustíveis fósseis. Contudo, se o país conseguir reduzir seu desmatamento pode inclusive aumentar a margem de emprego desses combustíveis, concluiu Nobre.
Para o Brasil, a cooperação técnica e financeira entre os países desenvolvidos e aqueles em vias de desenvolvimento não pode se limitar a transferir a estes últimos toda a responsabilidade para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa no planeta.


