O governo brasileiro vai dar prioridade ao combate aos grandes traficantes, ligados a cartéis internacionais. Nesta sexta-feira, será aberto em Brasília o Fórum Nacional Antidrogas, com cerca de 900 entidades, no qual será definido um programa de combate ao tráfico, prevenção e uso de drogas no Brasil. ‘‘Não adianta só prender os vendedores de esquina, ou eles voltam ou são substituídos’’, disse o juiz Walter Maierovicht, indicado para a Secretaria Nacional Antidrogas. ‘‘O mais importante é chegar aos barões, aos cartéis’’, ressalta o futuro secretário. O encontro vai até domingo.
No início de 99 representantes de todas as autoridades policiais estarão reunidas em Letícia (Colômbia), na fronteira com o Brasil, para acertar um plano de ação contra o narcotráfico. Segundo Maierovicht, a secretaria não vai se limitar à repressão, mas investir na prevenção e atendimento ao usuário de droga.
De acordo com levantamento da Secretaria Nacional Antidroga, há pelo menos 16 organizações internacionais atuando no tráfico de drogas e contrabando, comércio de reagentes químicos e armas atuando no Brasil. No sul do País, segundo a pesquisa, agem três grupos formados por paraguaios e brasileiros, outros três apenas por paraguaios. Na fronteira com o Peru - entre o Acre e o Amazonas - atuam três organizações peruanas; outros três grupos bolivianos agem entre Rondônia e Mato Grosso e cinco cartéis colombianos atuam na fronteira com o Amazonas.
‘‘Este encontro não será apenas no fim de semana, mas deverá ser um fórum permanente de discussão do problema da droga’’, disse o futuro secretário, afirmando que os participantes levarão as discussões para os Estados. ‘‘As organizações vão adaptar o programa às peculiaridades regionais.’ O fórum também vai decidir o melhor meio de distribuir os recursos do fundo nacional de drogas às entidades que participarem do plano antidroga.
Segundo Maierovicht, o governo brasileiro não vai repetir os erros cometidos pelos americanos, que preferiram centralizar suas ações na repressão, esquecendo-se da prevenção. ‘‘Vamos trabalhar equilibrando as duas coisas’’, ressalta, lembrando que as ações são feitas em conjunto com a PF e utilizando seu serviço secreto. ‘‘Mas queremos, além de tudo, resgatar a dignidade do dependente, tirando-o do círculo criminoso’’.
Ontem o juiz se encontraria com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, com quem discutiria a inclusão nos currículos de primeiro e segundo graus de aulas específicas sobre drogas, pois pesquisas recentes mostraram um grande índice de estudantes viciados.
O governo também pretende modificar a legislação para criar mecanismos mais eficientes de combate ao tráfico, descriminação do porte para uso, situação legal do dependente e adaptações no Estatuto da Criança e Adolescente.
O governo também vai levar à discussão a possibilidade de engajar a sociedade no combate ao tráfico, utilizando as Ongs. ‘‘Elas serão os agentes multiplicadores das idéias e dos debates sobre o assunto’’, disse Maierovicht. Além das entidades civis, o governo vai ouvir a área militar e o Judiciário, além das polícias.
O secretário se disse contrário à descriminação das drogas, mas defendeu a reforma do Código Penal. Ele defende que se acabe com a pena de prisão para o usuário. Segundo ele, outra distorção da lei é considerar traficante alguém que comparte a droga com um amigo ou pessoa conhecida.

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