'Brasil utiliza apenas um terço de seu potencial'
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terça-feira, 09 de outubro de 2018
Vitor Ogawa<br> Reportagem Local 
O diretor de Relações Institucionais do Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Luiz Pinguelli Rosa, ressalta que a geração de energia hidrelétrica é importante para o País porque é uma matriz de fonte renovável. "O Brasil dispõe abundantemente de locais inventariados capazes de abrigar usinas hidrelétricas, mas utiliza apenas um terço de seu potencial. Outros países, como os Estados Unidos e países europeus, utilizam de 70% a 80% desse potencial", ressalta.

Pinguelli explica que, em termos percentuais, os EUA têm mais potencial de implantação de usinas hidrelétricas que o Brasil, mas que o grande problema por aqui é minimizar os impactos de sua implantação. "O que vem sendo feito desde o governo Lula (2003-2010) é construir usinas 'a fio d'água', que são aquelas que não dispõem de reservatório de água, ou aquelas que possuem dimensões menores do que poderiam ter", diz.
Ele aponta que a construção de uma usina 'a fio d'água' representa menos áreas inundadas e exemplifica que as usinas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, são exemplos dessa tendência. "A desvantagem é que essas usinas não permitem guardar energia para os períodos secos", ressalva.
Ele acredita que os recursos energéticos do Paraná não são tão grandes e tampouco acredita que o Estado esteja sobrecarregado, mesmo sendo responsável por 10% da geração de energia elétrica do País. "No sentido da contribuição energética, a Usina de Itaipu é muito grande. Metade da geração pertence ao Paraguai e uma grande parte disso é comercializada ao Brasil e a outra metade pertence ao Brasil. Mas tirando Itaipu, o Paraná não possui tanto potencial para a geração de energia. A maior parte dos locais para implantação de novas usinas está na Região Amazônica, mas há a questão da floresta para a implantação nesses locais", destaca, referindo-se ao impacto que a derrubada de mata poderia ter para a implantação dessas usinas.
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Para Pinguelli, a visão de que o Paraná já contribui demais para a produção de energia elétrica do País é "mesquinha". "Seria o mesmo argumento de que todo o petróleo produzido pelo Rio de Janeiro só pudesse ser consumido no Rio de Janeiro", argumenta.
Confrontado com a questão de que o Estado do Paraná só tem ficado com o passivo ambiental e que o ICMS tem sido revertido para o Estado em que se consome energia elétrica, Pinguelli reconhece que esse ponto pode ser melhorado. "Isso é fácil de corrigir por meio de argumentos corretos", alega.
Sobre o impacto da construção de usinas hidrelétricas sobre as populações ribeirinhas, ele admite que é outro problema que deve ser analisado "com muito cuidado". "A população ribeirinha deve ser protegida, assim como as populações indígenas. É possível adotar medidas compensatórias", garante. "O Brasil tem potencial hidrelétrico inexplorado e uma parte poderia ser utilizada em consenso com as populações atingidas", aponta.
Sobre as PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), diz que a alternativa "não é muito importante". "Precisaria ter um número grande de PCHs para contribuir. A maior contribuição na geração de energia elétrica no futuro deve ser a eólica, pois o custo kw/hora é equivalente à produzida por uma usina termoelétrica a gás. Já o custo da energia solar é mais alto. De qualquer forma são usinas de geração intermitente que precisam de 'backup' quando houver a intermitência", lembra. Para ele, a tendência é de que esse backup seja gerado por usinas termoelétricas a gás.(V.O.)


