Brasil tortura mais, afirma Padre Roque
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sábado, 04 de novembro de 2000
Lino Ramos De Londrina 
Membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Roque Zimmermann, do PT, diz que a tortura é histórica no País e passou dos presos políticos para os comuns
A prática da tortura nas delegacias, cadeias e prisões é um fato cotidiano no Brasil, mais frequente do que em países como o Paraguai. A afirmação é do deputado federal Roque Zimmermann (PT), o Padre Roque, membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Segundo ele, a tortura é um problema histórico e o país ainda é tributário à Idade Média, como num período de caça às bruxas, hereges e ao diferente.
Segundo o deputado, no Brasil o diferente sempre foi o negro e o índio. Atualmente o branco pobre também passou a ser vítima dessa realidade. Me surpreendi vendo na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), pela primeira vez na minha vida, muito mais brancos presos do que negros. Isto foi o que me chamou a atenção imediatamente. Quando tive o primeiro contato com o grupo maior em um dos pátios, tinha dois ou três negros no meio de algumas dezenas de brancos, disse após visitar a unidade para averiguar denúncia de espancamento de 22 presos por agentes penitenciários.
Padre Roque entende que pela primeira vez na história do Brasil a prática da tortura está sendo discutida com franqueza e assiduidade. No passado nós falávamos da tortura contra o preso político e hoje nós já falamos da tortura contra o preso comum, que sempre foi torturado neste país em todas as delegacias. Todos os delegados que ouço dizem que para arrancar uma verdade do preso, só mesmo com a violência, no cacete, no pau de arara, no telefone, comenta.
Segundo o deputado a tortura se mantém como um resquício da didatura porque os policiais e agentes penitenciários foram treinados para arrancar confissões e nada mudou nessa formação. Em entrevista concedida à Folha, Padre Roque comenta também sobre os trabalhos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Narcotráfico, que até agora resultaram na prisão de aproximadamente 100 pessoas envolvidas com o crime organizado.


