Brasília, 17 (AE) - Os recursos da segunda parcela do pacote de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), no total de US$ 9,84 bilhões, e os US$ 2 bilhões da captação da República no exterior garantiram ao País, em abril, o primeiro superávit do ano nas contas externas. Foi de US$ 10,45 bilhões o saldo positivo do balanço de pagamentos (considera resultado da balança comercial, a conta de serviços e, ainda, os ingressos de recursos no País). No acumulado do ano, entretanto, o balanço de pagamentos está negativo em US$ 45 milhões.
Também apresentaram déficit as chamadas transações correntes que consideram apenas as operações de comércio e serviço. No mês, o saldo destas transações ficou negativo em US$ 2,49 bilhões e, no acumulado do ano, chegou a US$ 8,09 bilhões, ou 4,41% do Produto Interno Bruto (PIB) do período. Mesmo assim este resultado foi 20,8% inferior ao déficit registrado no mesmo período do ano passado, que foi de US$ 3,14 bilhões. No acumulado de doze meses, o déficit em transações chegou a 4,78% do PIB ante os 4,75% acumulados nos doze meses até março.
Em valores nominais, entretanto, o déficit acumulado em doze meses apresentou queda. Até março era de US$ 34,6 bilhões e
até abril, caiu para US$ US$ 33,9 bilhões. Ao apresentar os dados hoje o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, explicou que o aumento em relação ao PIB ocorreu por causa da desvalorização cambial. O aumento do dólar frente ao real provocou uma queda do produto em dólar.
Com a previsão de ingresso de US$ 20 bilhões em investimento direto para este ano, o governo assegura que o déficit em transações correntes será totalmente financiado com os recursos externos. Considerando os investimentos diretos, a necessidade do País de obter outros capitais para financiar o restante do déficit em transações correntes chegou a 0,39% do PIB em abril, a menor relação desde janeiro de 95, quando estava em 0,28% do PIB.
Até o mês passado, o total de ingressos dos investimentos diretos acumulado no ano chegou a US$ 9,24 bilhões. Em doze meses, o saldo é de US$ 31,1 bilhões. Somente em abril foram US$ 1,51 bilhão, dos quais US$ 963 milhões referentes à privatização da Comgás (Companhia de Gás de São Paulo). Do restante estimado até o final do ano, Lopes prevê que virão mais US$ 3,5 bilhões em privatização.
Viagens e juros - Quanto às transações correntes, Lopes explicou ainda que a retração de 20,8% ocorrida no déficit do mês passado quando comparado com resultado do mesmo mês de 98 (o déficit em abril do ano passado havia sido de US$ 3,14 bilhões), foi decorrente da queda nos pagamentos de serviços ao exterior. A exceção ficou apenas por conta dos juros. Segundo os números divulgados por Lopes, o pagamento de juros subiu de US$ 1,59 bilhões para US$ 1,88 bilhões. "Houve concentração de pagamentos" afirmou.
Em outras contas, como viagens internacionais, no entanto, houve queda. No mês de abril de 98, quando as reservas internacionais batiam recorde e o governo não cogitava fazer a desvalorização cambial, as viagens de brasileiros e seus gastos com cartões de crédito no exterior geraram uma despesa líquida de US$ 283 milhões ao País. No mês passado, foram US$ 57 milhões. Nos primeiros quatro meses deste ano, o déficit em viagens internacionais ficou em US$ 300 milhões ante os US$ 1,15 bilhão do mesmo período de 98.
Segundo o chefe do Depec, também houve queda na emissão de passagens para o exterior que estão incluídas no item transportes junto com o pagamento de fretes para exportação e importação do País. Nos transportes, o déficit do mês caiu de US$ 358 milhões em abril de 98 para US$ 144 milhões registrado no mês passado. No acumulado deste ano, o saldo negativo é de US$ 748 milhões ante os US$ 1,2 bilhão registrado no mesmo período do ano passado.
Também houve uma pequena retração na remessa de lucros e dividendos para o exterior que, nos primeiros quatro meses do ano passado, totalizaram US$ 1,55 bilhão e, no acumulado deste ano, ficou em US$ 1,5 bilhão. Em abril de 98 foram remetidos US$ 585 milhões enquanto no mês passado estas remessas ficaram em US$ 345 milhões.
Segundo garantiu Lopes, a tendência de retração em relação aos números de 98 está mantida. Até hoje, a remessa de lucros e dividendos estava em US$ 155 milhões enquanto os gastos líquidos com viagens internacionais estavam em US$ 61 milhões. Os investimentos diretos totalizaram US$ 123 milhões nos primeiros 17 dias de maio.

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