Brasil testa vacina contra Aids
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terça-feira, 06 de novembro de 2001
Sabrina Petry<br>Agência Folha - Do Rio de Janeiro 
O Brasil iniciou ontem a segunda fase de um novo teste de vacinas preventivas contra o vírus da Aids. É a primeira vez que o país consegue levar ao segundo estágio um estudo de vacina contra o HIV. A pesquisa, que está sendo realizada nos EUA, no Brasil, no Haiti e em Trinidad e Tobago, tem como objetivo avaliar como o sistema imunológico reage a duas vacinas experimentais, a Alvac, produzida na França, e a Vaxgen, feita nos EUA. A primeira fase, que testa a segurança da vacina e avalia seu comportamento ao ser absorvida pelo corpo humano, já foi concluída em todos os países, inclusive no Brasil. A segunda, que deve durar 18 meses, vai ampliar os conhecimentos sobre a segurança da droga e verificar se ela é capaz de produzir uma resposta imunológica no organismo.
A pesquisa, batizada de Projeto Praça 11, é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as universidades de Pittsburgh e Rochester, nos EUA. Ela é financiada pelo NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos EUA), que dará US$ 500 mil por ano para os pesquisadores brasileiros até a conclusão do estudo.
Ontem, o primeiro participante recebeu a vacina no hospital São Francisco de Assis, no Rio, onde funciona o projeto Praça 11. ''Todo mundo tem que fazer alguma coisa para ajudar o próximo. Sei que esse estudo é um passo importante para a descoberta da vacina definitiva'', disse o carioca R.R.M., 38, sobre sua experiência como voluntário. Ele não quis divulgar seu nome, mas se deixou ser fotografado.
Segundo um dos coordenadores do projeto, Mauro Schechter, essa segunda etapa produziu resultados positivos nos EUA, onde ela já foi concluída. ''Nessa etapa, saberemos se a pessoa produz as respostas imunológicas, que podem aparecer na forma de anticorpos ou de leucócitos, para combater o vírus'', explicou Schechter.
Para participar do estudo, os responsáveis pelo projeto no Brasil estão recrutando 40 voluntários, homens ou mulheres, soronegativos, entre 18 e 60 anos e com baixa possibilidade de se infectar pelo HIV. Até agora, dez pessoas já se cadastraram.
Os voluntários receberão quatro doses das vacinas, nos períodos de um, três e seis meses a partir da primeira. Eles terão 12 visitas médicas, realizarão testes laboratoriais e físicos e responderão a um questionário.
Os participantes terão seus anticorpos e leucócitos coletados. Num tubo de ensaio, eles serão colocados em contato com o vírus para verificar como se comportam.
Outro coordenador do projeto, o americano Lee Harrison, da Universidade de Pittsburgh, afirma que os voluntários não podem se infectar com as vacinas, uma vez que elas não contém o vírus da Aids.
Para Schechter, o novo estudo ''representa uma grande esperança na luta contra a Aids. É a primeira vez que uma pesquisa nesse estágio é realizada no Brasil e com uma grande vantagem: as duas vacinas já foram testadas na França, na Tailândia e nos EUA, e tiveram resultados bastante positivos''.
No Brasil, testes com vacinas contra a Aids já haviam ocorrido em 1994, mas a pesquisa não passou da fase 1. A terceira fase dos testes, que vai verificar se as vacinas realmente funcionam, ou seja, se a resposta imunológica produzida pelo organismo é suficiente para matar o HIV, deve começar entre o fim de 2002 e o início de 2003.


