São Paulo, 17 (AE) - O Brasil terá, a partir de março, seu primeiro laboratório de certificação para alimentos não transgênicos. A tecnologia será concedida pelo laboratório americano Genetic Id a um laboratório licenciado em São Paulo. O nome desse laboratório está sendo mantido em sigilo, pelo menos até a próxima semana, quando serão fechados os termos do contrato com a empresa norte-americana. A Genetic Id já dispõe de laboratórios próprios no Iowa (EUA) e em Yokohama, no Japão. A empresa está licenciando laboratórios também na Alemanha, França e Austrália.
De acordo com o vice-presidente da empresa, Jochen Koester, mesmo sem ter um laboratório próprio no País, a Genetic Id já dispõe de clientes no Brasil. "Uma grande companhia que atua no Brasil já utiliza nossos serviços para avaliar transgenia de soja brasileira há um ano e meio", comenta. "Além dessa empresa, já há 15 clientes no Brasil que utilizaram nossos serviços e o número cresce toda semana por causa do tom emocional que tomou conta do assunto no mundo". Koester não quis precisar os custos de avaliação de amostras de grãos. Mas explicou que a avaliação de uma amostra de 2,5 quilos, volume padrão no caso da transgenia, pode custar até US$ 400,00.
A Genetic Id fornece selos garantindo que lotes de alimentos têm teor de no máximo 0,1% de material transgênico. Para tanto, a empresa precisa fazer testes em volumes que variam de 0,2% a 1% do lote total a ser certificado. "Varia de acordo com os procedimentos que as empresas têm para não misturar produtos de várias origens", explica o executivo. Alimentos - A Genetic Id tornou-se a empresa de certificação do International Retail Consortium, uma organização de segurança alimentar formada por grandes grupos varejistas e indústrias alimentícias da Europa, como Nestlé e Sainsburys. Essas empresas selaram um acordo com o laboratório em agosto, e qualquer lote certificado pelo Genetics é reconhecido pelas empresas que compõem o grupo. De posse desse trunfo, o laboratório está tentando expandir seus negócios tanto em países consumidores quanto em países produtores de grãos.
No caso do Brasil, Koester afirma que apenas uma parcela pequena de soja do País está sob suspeita de ser transgênica. "A certificação abriria muitas portas para que os produtores e comerciantes possam vender essa soja à Europa e Japão com algum prêmio", diz. O executivo disse que embora a prática de pagar ágio sobre transgênicos não esteja disseminada, alguns negócios do gênero já têm sido fechados. "É claro que se você perguntar para o comprador, ele diz que não, mas nós já vimos contratos desse gênero".
Segundo o executivo, o laboratório aposta que a polêmica sobre os materiais transgênicos não deverá se encerrar rapidamente. "Faz apenas três anos que os transgênicos foram lançados e há um sentimento forte, principalmente entre os europeus, de que a tecnologia não foi suficientemente testada", afirma.

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