Brasil terá dificuldade para antecipar cota de exportação de carne para os EUA
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Renato Andrade 
Salvador, 26 (AE) - O governo brasileiro não deve conseguir antecipar a liberação de uma cota de exportação de 20 mil toneladas de carne bovina "in natura" para os Estados Unidos no próximo ano. De acordo com o conselheiro agrícola da embaixada norte-americana no País, Finn Rudd, o processo para liberação de uma autorização técnica para que o governo brasileiro possa pleitear a cota deve levar, no mínimo, um ano para ser concluído. "A discussão sobre uma cota de exportações de carne brasileira só deve acontecer durante a Rodada do Milênio", disse hoje Finn Rudd, ao chegar em Salvador para a décima reunião ordinária da Junta Interamericana de Agricultura.
Uma comissão técnica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) esteve no País no final de agosto verificando os sistemas de controle de aftosa nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no Mato Grosso. "Vamos elaborar agora uma análise sobre a estrutura de controle de risco brasileira", disse Rudd. Esta análise terá que ser apreciada pelos partidos políticos norte-americanos e passar por um período de discussão pública. Somente após estas etapas é que deverá ser redigida uma proposta de protocolo de redução de risco, o que funcionará como uma autorização para que o governo brasileiro possa solicitar uma cota específica para exportar carne "in natura" ou congelada.
"A tramitação é lenta e esta proposta só deve estar sendo redigida dentro de, no mínimo, um ano", ressaltou Rudd. O governo brasileiro tinha a expectativa de conseguir, já para o próximo ano, o adiantamento da cota de exportação.
Atualmente, o México e o Canadá tem livre acesso ao mercado de carnes dos Estados Unidos, e a Austrália, Argentina e Uruguai tem cotas determinadas para exportação do produto. Existe ainda uma cota de 65 mil toneladas/ano que é destinada para os demais países. Rudd insiste que dentro de um ano o máximo que o governo brasileiro poderá pleitear será uma participação nesta conta de 65 mil toneladas de carne.
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, insiste, no entanto, que não acredita que a discussão sobre uma cota de exportações de carne brasileira seja feita somente durante as reuniões da Rodada do Milênio. "Eu acho que não será necessário discutir isto na OMC, é uma questão sanitária bilateral", frisou o ministro ao chegar em Salvador para a abertura da reunião da Junta Interamericana de Agricultura.


