Brasil terá banco de dados genéticos de criminosos condenados
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 07 (AE) - Até o fim deste ano o Brasil terá um banco de dados nacional que reunirá amostras de DNA de criminosos condenados pela Justiça e de parentes de crianças desaparecidas. A Divisão de Polícia Criminal Internacional (Interpol) deverá gerenciar o banco de dados genéticos, que pode ajudar a desvendar crimes e encontrar pessoas sumidas, a exemplo do que ocorre desde o ano passado nos Estados Unidos. O tema foi debatido hoje no I Simpósio Internacional de Identificação Genética por DNA, no Tribunal de Justiça do Rio.
"Já temos um grupo de trabalho para a criação de um banco de dados com especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)", contou o chefe da Interpol no Brasil, Washington do Nascimento Melo. "Queremos começar, até o final do ano, com pessoas desaparecidas, em especial crianças." A idéia, segundo Melo, é cadastrar amostras do DNA de parentes das pessoas sumidas para que se possa identificar, sem margem de erro, a família das que forem reencontradas. "Atualmente, o desgaste na identificação é muito grande", afirmou.
Em um segundo momento, o banco reunirá amostras de DNA de criminosos. Especialistas americanos presentes ao simpósio contaram que os dados genéticos recolhidos de condenados por crimes violentos têm ajudado muito na identificação de culpados. "Oitenta por cento dos estupradores, por exemplo, não se reabilitam na prisão e voltam ao mesmo tipo de crime", afirmou o consultor de DNA do FBI (agência federal de investigação do governo americano), Arthur Eisenberg, que participou do caso do jogador de futebol americano O.J. Simpson, inocentado da acusação do assassinato de sua mulher.
Eisenberg lembrou que, antes da existência do banco de dados, o estupro era um crime muito difícil de ser resolvido. "Era difícil chegar a um suspeito", disse. "Agora não, basta comparar as amostras recolhidas no local com as do banco de dados." Com técnicas cada vez mais modernas, os especialistas são capazes de recolher fragmentos de DNA de amostras bem pequenas. A saliva deixada em uma guimba de cigarro ou em um copo, um fio de cabelo, gotas de sangue ou esperma são suficientes para a identificação.
Para o reconhecimento de crianças desaparecidas já há uma experiência pioneira na Flórida. "Para cada criança que nasce, recolhemos amostras de sangue para que, num caso de desaparecimento, possamos ter o DNA", explicou a especialista do departamento de polícia de Palm Beach, Cecelia Crouse.


