Brasília, 14 (AE) - O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Industria e Comércio, Mário Marconini, informou hoje que o Brasil e os demais países atingidos pelo regime de cotas imposto pela Argentina para a importação de tecidos a partir do dia 31 deste mês têm 60 dias para examinar o processo. O governo brasileiro deverá pedir a retirada da salvaguarda ou o aumento das cotas fixadas pela Argentina em 513 mil toneladas anuais durante o prazo de três anos.
Marconini explicou que as negociações entre o Brasil e a Argentina sobre a imposição de cotas para tecidos terão que ser feitas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), uma vez que a adoção desse tipo de salvaguarda foi tomada com base no Acordo de Têxteis e Vestuário da organização.
Decorridos os 60 dias para que o processo seja examinado e, caso não haja entendimento, o Comitê de Monitoramento da OMC tem um prazo de 30 dias para tomar um decisão final sobre o assunto.
Abit - A indústria têxtil espera que o governo brasileiro reaja energicamente contra o sistema de quotas de importação que a Argentina pretende impor. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, afirmou que a medida não faz sentido, porque a balança comercial entre os dois países praticamente empatou em 98. "A Argentina exportou ao Brasil cerca de US$ 350 milhões, e nós exportamos para eles cerca de US$ 340 milhões", observou o empresário.
Para Skaf, os argentinos deveriam se satisfazer com as atuais condições de competição. Ele explica que o Brasil não é auto-suficiente em algodão em pluma e 50% das importações vêm justamente da Argentina.
O presidente da Abit observa ainda que a energia é mais barata na Argentina do que no Brasil. "Ao pedirem isso, eles apenas dão atestado de sua incompetência", disse. "Ao invés de investirem em modernização, como fizemos, preferiram gastar dinheiro com advogados."

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