Brasil tentará "neutralizar" multifuncionalidade em Seattle Da enviada especial Fatima Cardoso
Seattle, 01 (AE) - Um dos pontos que mais preocupa o governo brasileiro é o da introdução do conceito de multifuncionalidade para a agricultura. O embaixador Carneiro Leão disse que a posição do Brasil e do Grupo de Cairns é totalmente contrária ao conceito. A avaliação é de que da forma como o assunto está sendo colocado abre-se a possibilidade de uma perpetuação do protecionismo agrícola. Mas ele prevê uma discussão difícil em torno deste assunto, pois existiria uma disposição do governo norte-americano em aceitar o conceito. O secretário de Agricultura dos EUA, Dan Glickman, voltou a dizer hoje que aceita a multifuncionalidade desde que ela não possa ser sustentada com protecionismos que distorçam o comércio mundial.
Carneiro Leão avalia que, talvez, o Brasil tenha de aceitar a introdução do conceito no texto de Seattle, mas que o governo brasileiro fará tudo para neutralizar seus possíveis efeitos prejudiciais à agricultura brasileira. Além da questão levantada por Glickman, os negociadores brasileiros querem que o conceito seja transparente, definindo critérios do que realmente pode ser considerado "multifuncionalidade". "Se não for assim, há o risco de surgir um caixa preta", disse o embaixador. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, concorda que o Grupo de Cairns talvez tenha de ceder neste ponto, mas somente se os europeus aceitarem os limites citados acima. "A multifuncionalidade pode ser um conceito que interessará ao Brasil no futuro, mas desde que não sirva para cercear ainda mais o comércio mundial da produtos agrícolas".





